Após 19 anos como credor internacional líquido, país registra saldo negativo de US$ 5,1 bilhões; reservas continuam sendo uma proteção importante.
O Brasil voltou à condição de devedor internacional líquido após 19 anos. Dados do Banco Central referentes a junho de 2026 mostram que a dívida externa superou o conjunto de reservas e créditos brasileiros considerados nessa comparação.
A dívida externa bruta alcançou US$ 407,1 bilhões, enquanto os ativos considerados somaram US$ 402 bilhões. A diferença foi de US$ 5,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
O que isso significa?
De 2007 a 2025, o Brasil manteve uma posição de credor externo líquido: seus ativos externos considerados nessa conta superavam as obrigações correspondentes.
Agora, a relação se inverteu. Isso não significa que o país esteja sem dinheiro ou incapaz de pagar suas dívidas. Significa que o saldo entre essas obrigações e os ativos considerados passou a ser negativo.
Também é importante não confundir dívida externa com dívida pública. A dívida externa envolve compromissos com credores estrangeiros de empresas, bancos e governos, enquanto a dívida pública inclui obrigações do Estado que podem ser internas ou externas.
Por que a situação mudou?
A dívida externa cresceu mais rapidamente do que os ativos usados na comparação. Ao mesmo tempo, o Brasil continua registrando déficit em transações correntes, conta que reúne comércio de bens e serviços e pagamentos e recebimentos de rendas com outros países.
Em 2025, esse déficit chegou a US$ 67,4 bilhões. O investimento estrangeiro direto ajudou a financiar o desequilíbrio, mas a diferença entre os recursos recebidos e o déficit externo ficou menor do que em anos anteriores.











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