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“Não basta comunicar, é preciso honrar o que se promete”: as lições de Paulo Yanko sobre ideias, branding e propósito

“Não basta comunicar, é preciso honrar o que se promete”: as lições de Paulo Yanko sobre ideias, branding e propósito

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Na era dos conteúdos rápidos, falar sobre propósito, vulnerabilidade e autenticidade parece um ato de resistência. É exatamente isso que faz Paulo Yanko, comunicador, estrategista de branding e organizador do TEDx Maringá, que há mais de uma década ajuda pessoas e empresas a encontrarem — e comunicarem — o que têm de mais genuíno.

Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, no podcast Ponto a Ponto, Yanko reflete sobre o poder das ideias, a força da curadoria, o papel do branding na construção de reputações sólidas e o impacto da inteligência artificial na comunicação contemporânea.

“Além dos Limites”: um tema que reflete Maringá

O TEDx Maringá já se consolidou como um dos principais eventos de disseminação de ideias da cidade. Na edição mais recente, realizada em 2025, o tema “Além dos Limites” foi escolhido para provocar o público a pensar sobre transformação e crescimento — não apenas pessoal, mas também coletivo.

“A escolha do tema reflete o momento da sociedade. Cada cidade tem sua identidade e, quando definimos o tema, pensamos: o que queremos provocar agora? Que tipo de reflexão a nossa comunidade precisa viver?”, explica Yanko.

A partir daí, ele destaca que o evento mostra uma Maringá aberta a diferentes pautas, com um público cada vez mais interessado em discutir temas variados — do agro à psicologia, dos negócios ao comportamento —, algo que, segundo ele, reflete o perfil inovador da cidade.

Por que o formato TEDx funciona

Essa abertura de temas se manifesta também no formato do evento. O TEDx segue uma lógica própria: falas curtas, diretas e com propósito, geralmente entre 12 e 18 minutos — tempo suficiente para emocionar e despertar curiosidade sem perder o foco.

“É desafiador porque o palestrante precisa condensar sua ideia sem ser raso. O objetivo é cativar e provocar curiosidade. Um bom TEDx deixa o público com vontade de saber mais.”

Para Yanko, a fórmula é simples: intensidade e verdade. Ele relembra uma experiência marcante com o ator Max Fercondini, que veio de Portugal especialmente para falar em uma palestra de apenas 12 minutos.

“As pessoas se espantam com a brevidade, mas é esse formato que prende a atenção. Se o público não pega o celular durante a fala, a gente venceu.”

Curadoria: o valor das ideias e o cuidado com o microfone

A escolha de quem sobe ao palco, no entanto, é um dos pontos mais delicados do processo. Ser organizador do TEDx é, acima de tudo, um exercício de curadoria e responsabilidade.

“Recebo mensagens todos os dias de pessoas querendo ser palestrantes. O desafio é separar quem tem uma ideia com propósito de quem quer visibilidade. Não escolhemos CPFs, escolhemos ideias que merecem ser ouvidas.”

Essa curadoria exige cuidado e critérios éticos rígidos — patrocinadores não podem palestrar, e a prioridade é sempre a relevância do conteúdo. Um dos exemplos mais emocionantes que Yanko cita é o de uma mãe que perdeu o filho para o câncer e tocou o público com uma fala de apenas cinco minutos.

“Foi uma das apresentações mais tocantes que já tivemos. Porque não era sobre técnica, era sobre verdade.”

É justamente dessa verdade que nasce o próximo ponto da conversa.

A vulnerabilidade como força

Entre os temas mais marcantes da entrevista está o valor da vulnerabilidade para garantir a autenticidade da comunicação. Yanko lembra o momento em que a apresentadora Daniela Cicarelli subiu ao palco do TEDx Maringá para falar sobre como o esporte transformou sua vida — um episódio que, para ele, simboliza o poder da exposição genuína.

“Ela estava nervosa, tremendo. E era uma comunicadora experiente, apresentava ao vivo para o Brasil inteiro. Mas naquele palco, ela estava se expondo de verdade. A vulnerabilidade emociona porque é real.”

Essa entrega, explica ele, é o que conecta o público ao palestrante. “No fim, o TEDx é sobre contribuição. É sobre o que a gente deixa para o outro.”

E essa mesma entrega — esse compromisso com o que se propõe — também é o que falta, segundo Yanko, em boa parte do mercado de trabalho atual.

Profissionalismo, compromisso e a cultura do imediatismo

A conversa avança para o cotidiano profissional e o comportamento das novas gerações. Yanko observa que, em tempos de microlearning e vídeos de um minuto, cresce a ilusão de que tudo é fácil e rápido.

“As pessoas acham que assistir a um vídeo no TikTok basta para se tornarem especialistas. E isso tem reflexos graves. A gente vive um momento de irresponsabilidade profissional. As pessoas não querem viver o processo.”

Para ele, o aprendizado exige tempo, paciência e resiliência — qualidades cada vez mais raras. “No jiu-jitsu, você entra sabendo que vai apanhar. É assim com a vida também. Quem não aceita o processo, não evolui.”

Essa visão sobre compromisso e consistência abre espaço para um dos temas centrais da carreira de Yanko: o branding.

Branding: mais que logo, uma questão de cultura e coerência

Com mais de uma década de experiência na área, Paulo Yanko defende que o branding vai muito além da estética.

“Muita gente acha que branding é logotipo. Não é. Branding é cultura, é decisão. É entender o que a empresa acredita, para quem fala e o que promete entregar.”

Para ele, comunicar é prometer, e toda promessa precisa ser cumprida.“Não basta comunicar, é preciso honrar o que se promete. Uma marca forte é aquela que cumpre o que diz.”

Nesse sentido, Yanko chama atenção para o uso consciente dos dados e métricas — ferramentas úteis, mas incapazes de captar a dimensão humana de uma marca.

“Os dados ajudam, mas não definem. Eles são um recorte. A decisão de marca precisa levar em conta o comportamento humano, o que não está nos números.”

Essa humanização, aliás, é o que também sustenta a construção das marcas pessoais.

Autenticidade e marca pessoal

Na era digital, as pessoas também são marcas. Yanko trabalha com profissionais de diferentes áreas na construção de posicionamentos de imagem autênticos e estratégicos.

“Pessoas se conectam com pessoas. E autenticidade é o que mais gera valor. Não é sobre ter milhões de seguidores, é sobre ter o público certo.”

Ele cita o exemplo de Michel Tamura, empresário de Maringá, como referência de posicionamento bem estruturado e natural.“A marca pessoal dele é tão coerente que as pessoas nem percebem que é uma estratégia. É natural. E isso é o ideal.”

Essa naturalidade, diz Yanko, será cada vez mais necessária num cenário em que a tecnologia avança rapidamente — especialmente com o crescimento da inteligência artificial.

A inteligência artificial e o risco da superficialidade

A discussão sobre tecnologia surge como consequência inevitável do tema anterior. Yanko reconhece que a inteligência artificial já é parte do cotidiano da comunicação, mas defende que seu papel deve ser instrumental, e não substitutivo.

“A IA não substitui o toque humano. Ela multiplica o que você já é. Se você é bom, ela potencializa; se é superficial, ela escancara.”

Para ele, o perigo não está na tecnologia em si, mas na preguiça intelectual de quem a usa como atalho. “Quem usa a IA como atalho para não aprender, vai empobrecer. O público percebe quando algo é genérico. O mercado também.”

Ainda assim, ele é otimista: acredita que a tecnologia pode ampliar a criatividade — desde que o humano permaneça no centro. “O mercado sente quando é de verdade. A tecnologia ajuda, mas o humano é insubstituível.”

O futuro: novas ideias, novos limites

Paulo Yanko revela que o próximo TEDx Maringá já está em fase de concepção e que também trabalha em um novo projeto de branding previsto para 2026. “Maringá é um mar azulzão. Tem espaço para criar, inovar e construir. A cidade está pronta para novas ideias.”

Para ele, tanto o evento quanto os projetos pessoais caminham na mesma direção: ampliar a potência das ideias e seguir conectando pessoas em torno de propósito e verdade.

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com Paulo Yanko está disponível no canal do Maringá Post no YouTube. A entrevista é produzida em parceria com o VMark Studio.

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