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Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Uningá estão realizando um levantamento populacional de cães e gatos existentes em Maringá. O estudo, que envolve acadêmicos e professores das duas instituições, teve início há aproximadamente dois meses, mas se intensificou nos últimos dias.
Cerca de 170 estudantes estão nas ruas, diariamente, realizando o levantamento das informações. A pesquisa é conduzida como se fosse um “censo” pet: os pesquisadores abordam donos de animais nas residências e apresentam um questionário, com informações sobre os bichos.
De acordo com o professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ricardo Souza Vasconcelos, os dados levantados ajudarão a subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas aos pets por parte da Prefeitura.
“A gente tem um convênio com a Prefeitura em um projeto com foco no controle populacional de animais. É um projeto onde a gente, dentre outras ações, apoia as campanhas de castração, programas de educação da população contra o abandono de animais e suporte para as ONGs no município. O censo é uma ação do projeto extremamente importante, porque o censo não é só a questão de você contar o animal. A gente, com base nas perguntas que são feitas, observa qual é a distribuição, se esses animais têm acesso à rua ou não, se eles são castrados ou não, quais são as condições que esses animais são criados, justamente para que, com os dados que a gente obtiver, conseguir estabelecer junto ao município ações tanto educativas como preventivas”, explicou.
É a primeira vez que o estudo é realizado em Maringá. Segundo a coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Uningá, Thaís Martins, a pesquisa começou em um ritmo ainda desacelerado por conta da adaptação dos estudantes participantes. Na Uningá, os voluntários são acadêmicos do 3º e 4º anos de Medicina Veterinária.
A professora relata algumas dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores e pede a colaboração da população em receber os estudantes. “Nós começamos num ritmo ainda pequeno por conta exatamente dessa adaptação dos alunos e da população também, para nos receber. Mas nessas últimas semanas, nós estamos intensificando esse processo. Então os alunos estão sendo vistos mais na rua e identificados. Eles vão estar sempre com um tirante, com as logos da Prefeitura, Uningá e UEM e também têm um crachá que identifica eles. A gente fez isso para a segurança da população também. Algo que eu posso colocar para vocês já é que a gente tem, por exemplo, dificuldade em condomínios. Os nossos alunos têm reportado que, às vezes, eles falam com o porteiro, eles tentam um contato com o síndico, mas, em alguns condomínios, a liberação não acontece”, explica.
Cerca de quatro mil domicílios deverão ser visitados em todas as regiões da cidade até o fim do estudo, o que deve ocorrer até dezembro de 2025. As residências foram escolhidas por sorteio em um método de amostragem, o que metodologicamente permite que os dados reflitam a realidade de forma precisa.
“A nossa expectativa é que já nos primeiros meses de 2026, em janeiro ou fevereiro, a gente já tenha o primeiro relatório para ser apresentado à Prefeitura. A divulgação desses dados a gente ainda precisa ajustar como que ela vai ser feita. Mas esse relatório que já deve ser apresentado, eu acredito que até fevereiro, a gente faça a apresentação dos dados compilados. A partir daí, a Prefeitura vai poder, com base nisso, fazer algum estudo específico em bairros e intensificar campanhas de castração, por exemplo”, finalizou o professor Ricardo.
Problemas com notícias falsas
Outra situação enfrentada pelos pesquisadores diz respeito à propagação de fake news. “Recebemos relatos de notícias falsas afirmando que os dados seriam utilizados para a futura cobrança de impostos, o que não procede. Os dados são exclusivamente para uso na pesquisa. Importante pontuar também que a gente não usa os dados de forma a divulgar nenhuma informação pessoal das pessoas. São todos dados tratados só pelos pesquisadores, inclusive só os pesquisadores que vão analisar os dados é que tem essa informação, nem o pessoal que está na coleta propriamente recebe isso diretamente”, explica a professora Thaís Martins.
















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