O governo do Irã informou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, que reagirá “de forma decisiva e proporcional” a qualquer ataque contra seu território e advertiu que bases dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser consideradas alvos legítimos em caso de ação militar.
Em carta enviada na quinta-feira à ONU, a Missão Permanente do Irã afirmou que declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicam “risco real de agressão militar”, embora tenha ressaltado que Teerã não pretende iniciar um conflito. O embaixador iraniano citou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que trata do direito à autodefesa, ao sustentar que o país responderá dentro dos princípios do direito internacional.
O documento acrescenta que, diante de uma eventual ofensiva, “todas as bases, infraestruturas e ativos norte-americanos na região” poderão ser alvo de retaliação.
Horas antes, Trump declarou em Washington que dará um prazo de dez dias para que haja avanço em um acordo com o Irã sobre o programa nuclear. Caso contrário, segundo ele, poderão ocorrer “coisas más”. O presidente afirmou que busca um entendimento “significativo”, mas sinalizou que o desfecho pode ser mais duro se não houver consenso.
Na sequência das declarações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também elevou o tom e afirmou que o Irã enfrentará uma resposta severa caso ataque o território israelense. Em pronunciamento durante cerimônia militar, disse que o país está preparado para qualquer cenário.
As trocas de ameaças ocorrem em meio ao reforço da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, com mobilização de meios navais e aéreos. Segundo a emissora CNN e o jornal The New York Times, forças norte-americanas estariam prontas para uma possível operação contra o Irã nos próximos dias, embora a decisão final ainda não tenha sido anunciada pela Casa Branca.
Na terça-feira, representantes dos dois países concluíram uma segunda rodada de negociações na Suíça sem avanços concretos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo, em um movimento interpretado como demonstração de força diante da escalada de tensões.
















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