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Série de Godzilla volta e quer abocanhar os fãs dos filmes com seus conflitos humanos

Série de Godzilla volta e quer abocanhar os fãs dos filmes com seus conflitos humanos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um ano antes de lutar ao lado de King Kong no filme mais recente de Adam Wingard, o poderoso Godzilla atacou o streaming na primeira temporada de “Monarch”. Foi com a série, lançada em 2023, que o Apple TV provou que os seres do universo criado pela Legendary são igualmente assustadores na televisão, onde ameaças contra a humanidade dividem espaço com dramas familiares de soldados e cientistas.

Diante da fuga do oficial Lee Shaw, papel de Kurt Russell, da Terra Oca -realidade paralela de onde saem os chamados Titãs e que lembra o Mundo Invertido de “Stranger Things”-, e com a promessa de ser até mais ambiciosa que a anterior, a segunda temporada do seriado revê o equilíbrio entre conflitos humanos e visuais de tela grande. É o que diz Tory Tunnell, que classifica a tal mistura como uma “receita especial”.

“Embora as pessoas queiram ver mais desses seres dignos de sessões de cinema, não tentamos competir com essa experiência. Damos parte do que querem e algo que ainda não têm”, afirma a produtora. “Nos filmes, não temos o mesmo tempo para elaborar personagens complexos que dez capítulos oferecem.”

Ainda que pesquisadores egocêntricos, movidos pelo ímpeto de controlar a natureza, sejam cruciais para longas como “Kong: A Ilha da Caveira” e “Godzilla: Rei dos Monstros”, a franquia que reúne dois colossos da sétima arte, desenvolvida na última década, nunca foi muito elogiada por suas questões sociológicas. É diferente do que aconteceu em 2023, por exemplo, com “Godzilla Minus One”, produção japonesa que venceu o Oscar de efeitos visuais e foi aclamada por resgatar o bicho como metáfora da bomba atômica.

Já “Monarch”, por sua vez, tem no cruzamento entre o passado e o presente uma forma de explorar outros traumas geracionais. Nos novos episódios, quando a parceria entre os humanos, o lagarto ameaçador e o gorila gigante se desgasta e novos Titãs decidem tomar o globo, a aliança entre Shaw e os irmãos Cate e Kentaro, herdeiros do legado obscuro deixado pela empresa-título, se mostra mais urgente do que nunca.

Como na primeira temporada, as décadas de 1950 e de 2010 são novamente sobrepostas ao longo da trama, que recupera o elo entre Kurt Russell e o filho Wyatt Russell enquanto intérpretes de duas versões, uma mais velha e outra mais jovem, do mesmo personagem. Apesar da facilidade com que anos avançam num mesmo capítulo, Tunnell ainda não encontrou soluções mágicas para diminuir a espera entre temporadas.

“Estamos sempre estudando maneiras de reduzir nosso tempo de produção”, diz a produtora, às vésperas da estreia, nesta sexta, mais de dois anos após o lançamento da primeira temporada. “Mas, o calendário de filmes habitua o público ao ritmo com que séries do tipo têm sido lançadas. Viemos aprendendo que mais é mais. As pessoas amam esses monstros e nós seguiremos buscando formas de surpreendê-las.”

A produtora cita um derivado sobre a juventude de Lee Shaw, cujo desenvolvimento terá início ainda este ano, e diz acreditar que, embora as redes sociais tenham ampliado as demandas específicas feitas pela plateia, os espectadores nunca estão, exatamente, à procura do que afirmam querer. “O importante é ter imaginação suficiente para seguir renovando as histórias desses personagens, ampliando esse universo com projetos únicos e retratando esses monstros como as crises existenciais que costumam simbolizar.”

Numa época em que estúdios de cinema e serviços digitais estão cada vez mais próximos e sagas como as da Marvel Studios encontram sobrevida na televisão, Kurt Russell diz que, no set, a sensação é de se estar filmando diferentes filmes de uma vez.

“Acho que todas as ficções científicas que eu já fiz giram em torno de uma pergunta: ‘e se algo fantástico e inexplicável acontecesse’? Hoje, existem muitos filmes feitos para serem vistos em casa que capturam essa sensação épica.” Ao seu lado, numa conversa com jornalistas, Wyatt cita longas de John Carpenter, cineasta com quem o pai colaborou em várias ocasiões, que ganharam popularidade a partir de fitas VHS.

“Longas como ‘Os Aventureiros do Bairro Proibido’ e ‘O Enigma de Outro Mundo’ não foram tão projetados pelo cinema quanto foram pelo home video”, afirma. “Parte dos fãs do trabalho de meu pai criaram laços com ele diretamente do conforto de suas casas, em um período em que streamings ainda não existiam.”

MONARCH: LEGADO DE MONSTROS

– Quando Estreia nesta sex. (27) no Apple TV
– Classificação 14 anos
– Elenco Kurt Russell, Wyatt Russell e Anna Sawai
– Produção Estados Unidos, 2026
– Criação Chris Black e Matt Fraction

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