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30 anos sem Mamonas Assassinas; banda passou por Maringá 3 meses antes da tragédia

30 anos sem Mamonas Assassinas; banda passou por Maringá 3 meses antes da tragédia

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Era 9 de novembro de 1995. O Ginásio Chico Neto recebia o grupo de maior sucesso naquele ano. Centenas de pessoas de todas as idades estavam ansiosas para ver e cantar com Samuel Reoli, Júlio Rasec, Dinho, Sérgio Reoli e Bento Hinoto, os jovens que formavam a banda Mamonas Assassinas. Todos estavam longe de imaginar que dias depois, uma tragédia se abateria sobre o grupo e deixaria uma legião de fãs órfãos.

O show em Maringá foi uma promoção exclusiva da rádio TransAmérica e o ingresso podia ser comprado de forma antecipada por apenas 12 reais na Casas Bahia, Fine, Atelier de Noivas Le Belle e na Microcamp. No dia do evento, a entrada custava 15 reais na portaria do ginásio.

Os maringaenses puderam cantar sucessos como “Pelados em Santos”, “Robocop Gay” e a clássica paródia de Roberto Leal, “Vira-Vira”. Músicas do primeiro e único álbum da banda, o autointitulado “Mamonas Assassinas”, lançado em janeiro de 1995.

No mesmo ano, os sucessos imediatos dominaram as rádios e TVs do País. Era comum ligar nos principais canais de televisão e encontrar os garotos vestidos de forma irreverente no Domingo Legal ou Domingão do Faustão. Em Maringá, não foi diferente. Imagens de acervo captam a energia que dominou os arredores do complexo da Vila Olímpica.

Coletiva de imprensa

O radialista Amarildo Legal participou da coletiva de imprensa realizada no hotel Golden Ingá. Na época, ele tinha 25 anos. “Eu fiz várias perguntas, foi um momento único na minha carreira”, comentou, durante entrevista ao Maringá Post.

Na opinião dele, a irreverência do grupo foi o que mais marcou o encontro, como num momento em que Amarildo teve dificuldades para falar a palavra sátira, o que virou motivo de brincadeiras com o vocalista da banda. “Ele (Dinho) falava para os outros jornalistas não errarem também”, recordou.

O radialista acredita que a banda teria problemas no mercado atual por causa do tom e brincadeiras que cantavam. Amarildo comenta que mesmo na época, as gravações encontraram resistência no meio radiofônico.

O chefe da rádio não queria tocar “Vira-Vira”, mas após o sucesso, não teve quem segurasse aqueles garotos

Amarildo Legal

A tragédia

A viagem de irreverência e contracultura foi encerrada em 2 de março de 1996. A bordo de uma aeronave Learjet 25D, o piloto Jorge Martins comanda o voo realizado pela Madri Taxi Aéreo. Além dos integrantes da banda, o avião contava com o copiloto Alberto Takeda, o secretário e assistente da banda Isaac “Shurelambers” Souto, e o segurança Sérgio “Reco”.

Às 21h58, o voo partiu do Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no Estado de São Paulo. Com pouco mais de uma hora de viagem, o piloto fez uma arremetida após uma tentativa de pouso. A manobra fez com que o avião se chocasse com a Serra da Cantareira, matando todos que estavam a bordo.

O enterro, em 4 de março de 1996, levou mais de 65 mil fãs ao Parque das Primaveras, em Guarulhos, no Estado de São Paulo. O evento também foi transmitido em TV aberta, com canais interrompendo sua programação normal para um adeus de um Brasil que se despediu em luto dos jovens cantores.

Passadas três décadas, em homenagem ao legado deixado pelos meninos irreverentes, um será inaugurado nesta segunda-feira (2), no BioParque Cemitério, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Parte das cinzas dos integrantes foi transformada em adubo e inserida em sementes de espécies nativas da região. Cada integrante dará origem a uma árvore diferente, que será monitorada por uma equipe especializada.