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Líder de Cuba confirma negociações com os EUA para encerrar bloqueio

Líder de Cuba confirma negociações com os EUA para encerrar bloqueio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admitiu nesta sexta-feira (13), em um raro pronunciamento transmitido pela televisão estatal, que autoridades cubanas conversaram com representantes do governo dos Estados Unidos em busca de uma saída para o bloqueio petroleiro de Washington.

Segundo ele, nenhum combustível entrou em Cuba nos últimos três meses.
O país enfrenta uma de suas mais graves crises econômicas e humanitárias desde a revolução de 1959, agravada pelo veto ao comércio de petróleo venezuelano com a ilha, imposto por Donald Trump depois da captura do ditador Nicolás Maduro. Cuba tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo e serviços básicos.

“Essas conversas tiveram como objetivo encontrar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, afirmou Díaz-Canel. O líder cubano disse ainda que a ilha está disposta a continuar as negociações e que buscará entender se existe vontade de ambos os lados para chegar a um acordo.

A situação, afirmou ele, trouxe angústia à população e instabilidade dos serviços básicos. “Me pergunto que países teriam a capacidade de manter a geração elétrica em meio a um bloqueio como esse? Isso só foi possível porque fizemos um uso racional -e até criativo- dos recursos disponíveis”, completou.

Díaz-Canel disse que o país está aumentando a produção de petróleo bruto e gás domésticos. O líder chamou o bloqueio de perverso, afirmando que a falta de luz está afetando o sistema de saúde e que há uma fila de milhares de pessoas esperando para realizar procedimentos cirúrgicos. Segundo ele, padarias também estão recorrendo ao uso de lenha e carvão para seguir funcionando.

Cuba anunciou na noite de quinta-feira (12) a libertação “nos próximos dias” de 51 prisioneiros, como demonstração de “boa vontade” em relação ao Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington. No discurso, o líder cubano disse que a decisão foi tomada de maneira autônoma pelo regime e que não foi imposta por nenhum outro país.

A declaração confirmou relatos divulgados pela imprensa americana de reuniões entre funcionários de alto escalão da Casa Branca e cubanos próximos do ex-líder Raúl Castro, que ainda exerce grande influência política. O próprio Trump já tinha dado declarações anteriores de que a ilha “deseja muito fechar um acordo” com os EUA.

Na segunda-feira, ele disse que Cuba poderia ser alvo de uma “tomada amigável”, acrescentando em seguida: “Pode não ser uma tomada não amigável”.

No início deste mês, o americano afirmou que os EUA vão se voltar para a ilha após a guerra no Irã. “Queremos terminar isso primeiro”, disse o americano, referindo-se ao conflito contra no Oriente Médio. “Mas isso será apenas uma questão de tempo até que […] um monte de gente inacreditável volte para Cuba.”

Desde a operação militar americana na Venezuela, Cuba deixou de receber petróleo de Caracas, que era crucial para o funcionamento de sua economia. Após pressão de Trump, o México, outro importante fornecedor, também interrompeu as remessas à ilha.

Washington ainda ameaçou impor tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba. Estima-se que o país produza menos da metade do petróleo de que necessita.

O agravamento dos períodos sem energia elétrica levou algumas famílias a instalar painéis solares em suas casas, mas a solução é limitada. À crise energética soma-se a prolongada crise econômica de Cuba, que deve piorar com o colapso do setor turístico frente a escassez de petróleo. Linhas aéreas como a Air France anunciaram que vão suspender suas operações no país por falta de combustível de aviação, mais um golpe para o turismo, importante fonte de renda para o regime.

O governo Trump justifica sua política de asfixiamento econômico contra Cuba dizendo que o país de cerca de 10 milhões de habitantes a apenas 150 km de distância da Flórida representa uma “ameaça excepcional” à segurança dos EUA, dadas as relações do regime comunista com Rússia, China e Irã.

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