IGOR GIELOW (FOLHAPRESS) – O apelo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que outros países enviem navios de guerra ao Estreito de Hormuz, com o objetivo de escoltar petroleiros na região, não teve adesão imediata.
Nesta segunda-feira (16), governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a proposta. Japão e Coreia do Sul afirmaram que ainda analisam a possibilidade de participar de uma missão desse tipo.
No sábado (14), Trump havia defendido em sua rede social, a Truth Social, que seria do interesse de países como China, França, Japão e Coreia do Sul manter aberta a passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
Desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, há pouco mais de duas semanas, a principal estratégia iraniana tem sido provocar instabilidade no mercado global de petróleo. A interrupção parcial da circulação no estreito obrigou diversos países a recorrerem a reservas emergenciais de energia.
A expectativa de Teerã é que a pressão econômica internacional leve o mundo a exigir o fim do conflito, garantindo a sobrevivência do regime islâmico. No entanto, com a campanha aérea contra o país em andamento, o resultado ainda é incerto.
Sem obter resposta ao longo do fim de semana, Trump elevou o tom. Em entrevista ao jornal Financial Times no domingo (15), afirmou que a falta de apoio europeu “será muito ruim para o futuro da Otan”.
Os Estados Unidos lideram a aliança militar criada em 1949, formada também pelo Canadá e por cerca de 30 países europeus. Desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump tem pressionado aliados da organização, argumentando que eles dependem excessivamente de Washington para sua segurança.
No ano passado, o presidente americano já havia transferido aos europeus grande parte da responsabilidade pelo apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Na ocasião, suspendeu o envio direto de dinheiro e armas a Kiev, passando a fornecer equipamentos por meio de compras feitas pela Otan em estoques militares americanos.
No atual conflito com o Irã, Trump atua praticamente isolado ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ofensiva militar, defendendo que a diplomacia seria o melhor caminho para lidar com Teerã.
Apesar disso, o agravamento da crise energética global pressiona os governos europeus. Para evitar uma disparada ainda maior no preço do petróleo, os Estados Unidos chegaram a flexibilizar parcialmente sanções sobre o petróleo russo, que financia a guerra conduzida por Vladimir Putin.
Trump também tenta envolver a China no cenário. O país asiático é rival estratégico de Washington e responsável pela compra de grande parte do petróleo iraniano.
Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, um dos principais centros de produção de petróleo do Irã. Os terminais de exportação, no entanto, não foram destruídos. Posteriormente, Trump afirmou que poderia atingir essas estruturas “só por diversão”.
Na entrevista ao Financial Times, o presidente americano também sugeriu que poderia adiar uma visita prevista para o próximo mês ao líder chinês Xi Jinping. Nesta segunda-feira, o governo de Pequim afirmou que ainda considera válida a agenda inicialmente planejada.
Enquanto isso, o Irã também tenta administrar o conflito. Logo após o início da guerra, o país anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e iniciou ataques contra navios e instalações petrolíferas de países árabes da região.
Nos últimos dias, o discurso iraniano mudou. Autoridades passaram a afirmar que o estreito estaria fechado apenas para Estados Unidos, Israel e seus aliados.
“Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto”, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Como gesto de aparente normalidade, Teerã permitiu a passagem de um petroleiro paquistanês transportando petróleo dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o sistema de monitoramento marítimo Marine Traffic, o navio Karachi concluiu a travessia no domingo e chegou nesta segunda-feira à costa de Omã.
Apesar disso, o Irã mantém ataques com mísseis e drones em diferentes pontos do Oriente Médio. Também nesta segunda-feira, um bombardeio atingiu o terminal petrolífero de Fujairah, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos.
O porto tem importância estratégica porque recebe o único oleoduto do país que contorna o Estreito de Hormuz, transportando petróleo dos campos de Habshan, em Abu Dhabi. Após o ataque, as operações de embarque foram suspensas.
Os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais alvos da retaliação iraniana, registrando mais ataques do que Israel. Nesta segunda-feira, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em tempos de paz, foi fechado após um drone iraniano explodir um tanque de combustível próximo ao terminal.
















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