Melissa Apprigio, filha do cantor Bruno Mafra, se manifestou pela primeira vez após a decisão do Tribunal de Justiça do Pará que manteve a condenação do pai a mais de 30 anos de prisão por abuso sexual contra as próprias filhas. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a jovem falou abertamente sobre os impactos emocionais do caso e relembrou o longo caminho até a conclusão do processo.
No desabafo, Melissa destacou a dor que acompanha o desfecho judicial. “Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai.” Ela também ressaltou o tempo que levou até que a Justiça desse uma resposta definitiva. “Eu sempre digo que, apesar de eu ter sido vítima, eu sou combativa. Eu lutei. E foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta.” Em outro momento, afirmou: “Para mim e para a minha irmã, é o começo de uma história que a gente quer encerrar. É o luto de enterrar um genitor em vida.”
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A jovem explicou ainda que a decisão judicial foi baseada em uma análise detalhada do caso. Segundo ela, as desembargadoras responsáveis não identificaram falhas processuais nem inconsistências nas acusações apresentadas por ela e pela irmã. “Eu gostaria de deixar claro que não é uma denúncia, não é uma suspeita, é uma condenação em segundo grau. Uma decisão unânime, pelo entendimento das desembargadoras.”
Melissa também abordou críticas recebidas nas redes sociais, especialmente aquelas que questionam suas motivações. Ela negou qualquer interesse financeiro e afirmou que o pai não cumpria adequadamente suas obrigações durante sua infância. “Nunca ele pagou direito a minha pensão. É muito absurdo ver comentários que ainda questionam, mas eu já esperava que isso fosse acontecer, porque a gente vê isso todos os dias. A mulher tem vídeo gravado, sendo espancada, e ainda assim as pessoas perguntam: ‘Ah, mas por quê? O que ela fez?’. As pessoas vão sempre questionar a palavra da mulher, e eu não me importo com isso.”
Além do relato pessoal, Melissa aproveitou o espaço para incentivar outras vítimas de abuso. “Eu estudei, trabalhei, tenho hoje a minha empresa, estou conquistando muitas coisas e ele não me paralisou. Esse é um recado para toda vítima: não deixem que isso paralise vocês. Você não é o abuso que sofreu, nem a humilhação que viveu. Você é muito mais do que isso e existe esperança.”
Ela também fez questão de agradecer o apoio recebido ao longo do processo, citando familiares, a família da irmã, parentes do noivo e, principalmente, a mãe. “Ela é o motivo de eu ter continuado e lutado até aqui.”
A condenação foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Pará, que confirmou a pena de 30 anos, quatro meses e 24 dias de prisão em regime fechado. A sentença original havia sido proferida em 2024 e foi reafirmada na última quinta-feira (26), quando os desembargadores rejeitaram os recursos apresentados pela defesa, embora ainda caiba apelação.
Durante o julgamento, a desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias destacou a robustez das provas apresentadas. Segundo ela, o cantor se aproveitou da relação de confiança e da posição de pai para cometer os abusos, que ocorreram tanto em casa quanto no carro. “As vítimas relataram de forma independente e consistente episódios decorridos em ambientes controlados pelo réu, com modus operandi semelhante, caracterizado por isolamento, pedidos de segredo, manipulação psicológica, exibição de material pornográfico, toques íntimos e atos libidinosos, inclusive sexo oral.”
As denúncias vieram à tona em 2019, quando as vítimas decidiram relatar os abusos sofridos na infância. Os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2011, em Belém, quando elas tinham menos de 14 anos.
Mesmo após a decisão, Bruno Mafra utilizou suas redes sociais para negar as acusações. Em uma publicação, afirmou: “Tenho a tranquilidade de quem sabe da própria conduta. O tempo e a Justiça se encarregarão de restabelecer a verdade. Sigo firme, com dignidade, respeito e fé. Seguirei colaborando integralmente para o completo esclarecimento dos fatos.”
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A defesa do cantor, representada pelo escritório Filipe Silveira, informou que irá recorrer. Em nota, os advogados destacaram que o processo ainda não teve decisão definitiva e apontaram possíveis irregularidades. “A defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica da própria decisão”, declararam.
Por fim, a equipe jurídica também criticou a divulgação de informações de um caso que tramita sob sigilo, ressaltando a necessidade de respeito às restrições legais para garantir a integridade do processo e a proteção das partes envolvidas.
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