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Uma usina de cana-de-açúcar localizada em São Pedro do Ivaí (a 80 quilômetros de Maringá) foi inclusa na chamada ‘lista suja’ do trabalho escravo. O documento, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, do Governo Federal, foi atualizado na última segunda-feira (6). A lista é pública e pode ser consultada por qualquer cidadão. O nome da empresa consta na página 40 do documento.
Ao todo, a nova lista teve a inclusão de 169 nomes, sendo 102 pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas, todas flagradas submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. O documento considera casos julgados entre 2020 e 2025, com processos administrativos concluídos e sem direito a recurso, de acordo com o Ministério do Trabalho.
Ainda conforme o Governo Federal, cada empresa ou pessoa física inclusa fica com o nome no cadastro durante dois anos, com retirada sendo condicionada a regularização e a não existência de novas denúncias durante o período. O documento é atualizado duas vezes por ano, sendo uma em abril e a outra em outubro.
A Renuka Vale do Ivaí S/A, usina sediada em São Pedro do Ivaí, foi incluída por conta de um caso registrado em outubro de 2025, quando mais de 50 indígenas foram resgatados de condições análogas com a escravidão em um alojamento em Itambé (a 40 quilômetros de Maringá).
Na ocasião, fiscais do Ministério do Trabalho informaram que os trabalhadores haviam sido recrutados por uma empresa terceirizada em aldeia do Mato Grosso do Sul, com a promessa de trabalho na usina de São Pedro do Ivaí. O trabalho no Paraná, que teria iniciado em julho de 2025, foi encerrado e os indígenas abandonados no alojamento sem alimentação, transporte e itens básicos de higiene.
Ainda conforme a fiscalização, nenhum deles tinha registro em carteira ou recebia salários pelos serviços.
Também em outubro de 2025, logo que a denúncia se tornou pública, a Renuka firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho em Maringá, onde se comprometeu a pagar as verbas rescisórias e demais valores devidos aos trabalhadores. O TAC também obrigou a empresa a custear integralmente o retorno das vítimas aos seus municípios de origem, por meio de passagens de ônibus ou transporte disponibilizado pela própria usina.
O Maringá Post estabeleceu seis contatos telefônicos com a usina citada nesta quarta-feira (8), sendo dois na unidade de São Pedro do Ivaí e quatro com o departamento jurídico da empresa, em São Paulo, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação. A reportagem também fez contato com a empresa via e-mail, mas igualmente não recebeu um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestações e o conteúdo será atualizado assim que uma resposta da empresa chegar.
















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