Fernando Diniz teve apenas dois treinos antes de estrear no comando do Corinthians, às 21h desta quinta-feira, contra o Platense, na cidade argentina de La Plata. A expectativa para a estreia na Libertadores, no entanto, é de que o time já apresente algumas características do estilo do treinador.
Antes de tudo, porém, a prioridade é corrigir os problemas que levaram a equipe a ficar nove jogos sem vencer, sequência que culminou na demissão de Dorival Júnior. Diniz foi contratado porque a diretoria alvinegra acredita que o time pode render mais ofensivamente. O mau desempenho fica evidente nos números do Campeonato Brasileiro: apenas oito gols marcados em 10 rodadas, o pior ataque da competição.
Na atual sequência negativa, foram apenas cinco gols marcados. Melhorar o setor ofensivo, portanto, é um dos pontos cruciais, especialmente diante da avaliação de que o elenco tem qualidade técnica suficiente para apresentar um futebol mais agressivo.
O momento ruim do ataque corintiano reflete a queda de rendimento de jogadores que foram importantes nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil no ano passado. A deficiência começa na criação de jogadas, independentemente de quem exerce essa função. Seja com Rodrigo Garro ou Breno Bidon, o setor de armação tem sido praticamente inoperante.
Diniz não descarta utilizar os dois juntos, opção que não vinha sendo considerada por Dorival.
“Podem atuar juntos, não quer dizer que vão jogar juntos. Depende de como se adaptam. Da maneira que eu vou propor não é uma afirmação, mas é uma possibilidade. Se conseguirem, teremos um ganho técnico importante”, afirmou o treinador, que também conta com opções como Carrillo e Zakaria Labyad para a função.
As jogadas de velocidade que funcionaram ao longo de 2025, muito em função da movimentação de Yuri Alberto, já não são mais executadas. Há, inclusive, grande dependência do atacante. Ele fez falta durante o período em que esteve lesionado, mas seu retorno não trouxe o impacto esperado.
O estilo de jogo que deu certo no ano passado é muito dependente de Yuri, que viajou para a Argentina mesmo após a extração de um dente siso. Encontrar alternativas a esse modelo, que gira em torno do artilheiro da Arena, é mais um desafio para Diniz. No ataque, também há a missão de recuperar Memphis Depay, fora por lesão na coxa, e encaixar o inglês Jesse Lingard.
A defesa do Corinthians também precisa de ajustes, já que falhas recentes ficaram evidentes. Além disso, o time tem encontrado dificuldades para aproveitar o fator casa na Neo Química Arena. O desempenho como mandante tem sido irregular, com derrotas para Bahia, Palmeiras, Coritiba e Internacional neste ano — são quatro derrotas, dois empates e apenas três vitórias.
A equipe também tem dificuldade para reagir em situações adversas, mesmo jogando em casa. No máximo, tem conseguido empates, como contra São Paulo e Flamengo. Trazer um impacto emocional ao grupo é uma das prioridades de Fernando Diniz.
“A principal característica dos times que eu dirijo é ter muita vontade. Acham que a parte tática tem uma prevalência para mim que nunca vai ter. Não tem parte tática que compense a vontade. A gente tem de ter desejo e coragem, isso é o mais importante. É um time que dois meses atrás estava ganhando a Supercopa do Brasil”, disse.
Contra o Platense, o Corinthians ideal de Diniz ainda não estará em campo, já que ele não conta com peças importantes, como Memphis, além de Kaio César e Gui Negão, que seguem lesionados. Outra baixa é o volante Charles, por causa de uma pancada no tornozelo. O jovem atacante Kayke pode ser a novidade na escalação inicial, formando dupla de ataque com Pedro Raul.
Do outro lado, o Platense vive um momento histórico. Campeão do Apertura do Campeonato Argentino no ano passado, o clube disputa a Libertadores pela primeira vez. Para isso, precisou adaptar o estádio Ciudad de Vicente López às exigências da Conmebol, após uma grande reforma.
A diretoria se esforçou para realizar as obras e evitar mandar os jogos em outro estádio.
“Esta é uma continuação de um trabalho que vem sendo realizado há mais de nove anos”, afirmou o presidente do clube, Gastón Arcieri, ao jornal Olé, ao comentar a ascensão da equipe, que saiu da segunda divisão em 2020 para se firmar na elite.
Apesar da boa temporada em 2025, o Platense tem desempenho irregular em 2026 e ocupa a décima colocação no campeonato nacional, com 15 pontos.
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FICHA TÉCNICA
PLATENSE X CORINTHIANS
PLATENSE – Borgogno; Saborido, Vázquez (Raggio), Cuesta e Silva; Gómez, Ferreira e Barrios; Mainero, Lencina e Gauto.
CORINTHIANS – Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, André, Breno Bidon e Rodrigo Garro; Kayke e Pedro Raul,
ÁRBITRO – Piero Maza Gomez (CHI).
HORÁRIO – 21 horas.
LOCAL – Estádio Ciudad de Vicente López, em La Plata (ARG).
















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