SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O rapper e DJ Afrika Bambaataa morreu hoje, aos 67 anos. A informação é do TMZ. O músico americano morreu de “complicações de um câncer” nesta madrugada. O TMZ diz ter recebido a informação de “fontes diretamente ligadas” a Bambaataa.
Pioneiro do hip-hop foi alvo de acusações de abuso
Bambaataa cresceu no Bronx por familiares envolvidos no movimento de libertação negra dos anos 1960. Nascido Lance Taylor, em 17 de abril de 1957, em Nova York, era filho de imigrantes da Jamaica e de Barbados, e cresceu em um conjunto habitacional. Seu primeiro contato com a música se deu por meio da extensa coleção de discos da mãe.
Adotou o nome africano Afrika Bambaataa após assistir ao filme “1964” e se tornar organizador cultural. Ele escolheu o nome do chefe revolucionário Zulu Bhambatha após assistir ao longa-metragem e fazer uma visita à África. Inspirado pelas comunidades locais, decidiu criar uma alternativa à gangue Black Spades, voltada à cultura e ao desenvolvimento comunitário: a Universal Zulu Nation.
É considerado um dos “fundadores” do hip-hop. Ao lado de nomes como DJ Kool Herc e Grandmaster Flash, é frequentemente citado como um dos “padrinhos do gênero”.
Suas festas de rua no Bronx, nos anos 1970, fizeram sucesso e ajudaram a moldar a cultura do hip-hop, como o rap, o grafite e o breakdance. Os eventos contavam com DJs locais, sistemas de som improvisados e competições de breakdance. Seu estilo de discotecagem, baseado na repetição rápida de trechos rítmicos de bateria (breakbeats), tornou-se referência.
O maior sucesso de Bambaataa é “Planet Rock”, faixa lançada em 1982 com o grupo Soul Sonic Force. A faixa, construída sobre batidas da drum machine Roland TR-808 e samples do grupo alemão Kraftwerk, chegou ao quarto lugar da parada de R&B da Billboard e ajudou a popularizar o electro-funk.
A Universal Zulu Nation se expandiu internacionalmente e influenciou coletivos e artistas de hip-hop nas décadas seguintes. Entre os grupos que se inspiraram na iniciativa de Bambaataa, estão De La Soul, A Tribe Called Quest e Jungle Brothers.
O músico foi expulso da Universal Zulu Nation após ser acusado de abuso sexual infantil. Em 2016, várias pessoas acusaram Bambaataa de abuso sexual quando eram crianças, alegando que os relatos circulavam desde os anos 1980. Após as denúncias, ele foi expulso da Universal Zulu Nation.
No ano passado, Bambaataa perdeu um processo civil movido por um homem anônimo, que diz ter sido abusado e traficado pelo DJ. O acusador afirma que tinha 12 anos quando começou a ser abusado por Bambaataa, que tinha 33 à época. As violências teriam durado quatro anos. Em decisão na Suprema Corte do Estado de Nova York, o juiz Alexander M. Tisch concedeu vitória ao autor por revelia, sem oposição da defesa.
Bambaataa enfrentou diversas denúncias de abuso envolvendo menores. Em 2016, o ativista do Partido Democrata e ex-executivo da indústria musical Ronald Savage afirmou que havia sido abusado repetidamente em 1980, quando tinha 15 anos e Bambaataa, 23. Em 2024, Savage voltou atrás e disse que conheceu o DJ em um clube usando documento falso.
Na época das denúncias de 2016, outras pessoas também apresentaram acusações — segundo a Rolling Stone, 12 homens no total. Um rapaz que se identificou como ex-segurança do artista afirmou ter presenciado situações “estranhas” com adolescentes em quartos de hotel durante turnês. Bambaataa negou as acusações em entrevista à Fox 5 News, em 2016. “Eu nunca abusei de ninguém. É loucura ouvir as pessoas falando isso: ‘Você abusou de mim'”, disse ao canal de TV.
Leia Também: Leandra Leal diz que filha de 11 anos tem ciúme dela em cenas de beijo em ‘Coração Acelerado’
















Adicionar Comentário