SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Uma falha no sistema de controle de voo paralisou todos os pousos e decolagens no estado de São Paulo por pouco mais de uma hora na manhã desta quinta-feira (9).
A Força Aérea Brasileira (FAB) disse ter havido um “problema técnico operacional” das 9h30 às 10h06, mas o impacto nos aeroportos foi maior, com efeito cascata levando a atrasos, cancelamentos e desvios de rota. Mais de 200 voos e cerca de 8.000 passsageiros foram afetados.
Segundo as autoridades, o problema técnico ocorreu no Controle de Aproximação (APP, do inglês Approach Control) na região de São Paulo após uma suspeita de incêndio no prédio do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).
“Apareceu uma fumaça em uma área do prédio do Decea e, por precaução e orientação até que o Corpo de Bombeiros chegasse, os funcionários foram orientados pelo Decea a deixar o prédio”, afirmou o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Faierstein.
A situação deixou os saguões dos aeroportos de Guarulhos, na Grande São Paulo, e de Congonhas, na zona sul da capital paulista, lotados.
Nas redes sociais, dezenas de passageiros, que estavam prestes a decolar relatam esperar por mais de uma hora dentro das aeronaves sem informação se iriam conseguir viajar. Alguns deles reclamavam da falta de informação e por estarem presos dentro dos aviões sem ar-condicionado.
O empresário Fábio Andres Patino, que estava com a esposa, Cristina Cabral de Miranda, saiu de Varginha (MG) e chegou ao aeroporto por volta das 6h. O embarque ocorreu às 7h50, com decolagem prevista para 8h40, mas o avião permaneceu na pista até cerca de 10h30, quando o voo foi cancelado.
“A gente já estava dentro, esperando autorização para decolar. Aí o comandante mandou desembarcar e pegar as malas”, afirmou. Desde então, eles aguardam orientação da companhia aérea. “Mandaram fazer a fila, mas até agora não sabem dizer se a gente viaja hoje, amanhã ou quando vai ser”, disse.
Situação semelhante foi enfrentada pela passageira Jucilene Amaral, que viajava de férias com a família. Ela conta que o trajeto começou no Recife, com conexão em São Paulo, mas acabou marcado por sucessivos atrasos e cancelamentos. “O voo a gente pegou no Recife, desceu aqui para pegar o de 7h50, aí já foi cancelado. Passou para 9h30 e depois foi cancelado de uma vez, aí agora só de 15h30”, afirmou.
A Anac disse que acompanhava, ao longo do dia todo, “o desempenho operacional das empresas e dos aeroportos afetados, para avaliação de eventuais reflexos e efeitos em cascata na malha”. A agência estudava ampliar o horário de funcionamento em Congonhas, que normalmente fecha as 23h. Às 21h30, a concessionária Aena confirmou a ampliação do horário até meia-noite.
“Para reduzir os impactos na malha aérea nacional, causados pela suspensão temporária dos voos no espaço aéreo da Terminal São Paulo nesta manhã, o aeroporto de Congonhas deve operar até a meia-noite desta quinta-feira (9). A decisão foi tomada após pedido das companhias aéreas ao Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), e aprovado pelo órgão”, divulgou a empresa.
A FAB, em nota, disse ter cumprido rigorosamente todos os requisitos internacionais de segurança de voo, “mantendo o fluxo operacional previsto para o aeródromo”.
Em razão da ocorrência, o departamento suspendeu as autorizações de decolagem na área de controle terminal de São Paulo (TMA-SP), que abrange os aeroportos de Congonhas e Guarulhos.
A suspensão de operações em aeroportos de São Paulo provocou reflexos em cidades como o Rio de Janeiro. A Infraero disse que três voos tiveram de retornar ao aeroporto Santos Dumont, na capital fluminense. Dois deles tinham Congonhas como destino, e um iria para Guarulhos. Ainda segundo a estatal, houve o cancelamento de quatro voos de chegada e três de partida no Santos Dumont.
Segundo a GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto de Guarulhos, as operações foram retomadas ainda pela manhã. O local teve 16 voos cancelados, 11 alternados e 86 com atrasos superiores a 15 minutos
No aeroporto de Viracopos, em Campinas, a interrupção ocorreu das 9h às 10h08. Até as 15h45, foram registrados atrasos em 24 chegadas e 40 partidas. Também foram cancelados 6 voos de chegada e 8 de partida, segundo a companhia.
A Aena, concessionária que administra Congonhas, disse que o aeroporto ficou fechado das 8h58 às 10h09. “A Aena recomenda que todos os passageiros com voos marcados para esta quinta-feira entrem em contato com as companhias aéreas para confirmar a situação dos seus voos”, disse.
Segundo o painel de controle aéreo de Congonhas, 23 voos que decolariam foram cancelados e 4 atrasaram. Dos que aterrissariam, 19 foram cancelados, 3 atrasaram e 1 foi alternado para outro local.
A passageira Gislene Gonçalves Pires foi uma das afetadas. Ela acompanhava a mãe, de 68 anos, e a avó, de 99, que viajariam para Montes Claros, em Minas Gerais. O grupo chegou ao aeroporto de Congonhas por volta das 10h para um voo previsto para às 11h55, mas foram informadas ainda no check-in sobre a paralisação e a falta de previsão de retomada.
Como as duas idosas precisavam de acompanhamento até a aeronave, a companhia ofereceu a remarcação para o dia seguinte, que chegou a ser aceita. Pouco depois, porém, veio a informação de que os voos poderiam ser retomados, e a família decidiu manter a viagem nesta quinta.
O embarque, então, foi remarcado para 13h50, com atraso de cerca de duas horas. “Falaram que não tinha previsão, mas que a gente podia escolher. Preferimos esperar”, disse. Apesar da demora, ela afirmou que recebeu suporte da companhia.
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