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Sidnei Telles projeta o futuro de Maringá

Sidnei Telles projeta o futuro de Maringá

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O vereador Sidnei Telles (Podemos) foi o entrevistado do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, em episódio que detalha os desafios de gestão da terceira maior cidade do Paraná. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o parlamentar — que é engenheiro civil de formação e preside a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara — apresentou um diagnóstico técnico sobre os gargalos que podem travar o crescimento de Maringá nos próximos anos.

Ao longo da entrevista, Telles discutiu desde o esgotamento do modelo atual de trânsito até as entranhas da arrecadação municipal, passando pela fiscalização de contratos públicos e os bastidores da política legislativa.

“Cidade boa é cidade que se planeja. O tempo é um adversário e um amigo ao mesmo tempo”, resume Telles ao defender que soluções estruturantes precisam ser tomadas hoje, mesmo que os resultados eleitorais demorem a aparecer.

O alerta da mobilidade: “Maringá vai travar em 5 anos”

Um dos pontos centrais da conversa foi a saturação das vias de Maringá. Para o engenheiro, a cidade vive um desequilíbrio urbano histórico. Ele aponta que, embora o planejamento original fosse rigoroso, o crescimento ao norte da Avenida Colombo não foi acompanhado por uma infraestrutura proporcional.

Telles projeta um cenário crítico para o curto prazo. “Se não tomarmos medidas, em cinco anos o engarrafamento para sair de Sarandi vai chegar na Avenida Pedro Taques”, alerta. Ele explica que a construção de um viaduto leva, em média, cinco anos entre licitação e obra. Por isso, a omissão atual cobrará um preço alto no futuro próximo.

O vereador defende uma mudança de cultura: a retirada de estacionamentos das vias principais para priorizar o fluxo e a criação de espaços privados de parada. “Precisamos reunir a sociedade e conversar. Ou a gente faz algo, ou não andaremos mais”, afirma.

Reforma Tributária e a “mágica” do IPTU

Como presidente da Comissão de Finanças, Sidnei Telles explicou a lógica por trás do reajuste de quase 30% no IPTU, tema que gerou desgaste em 2025 e tem impactado a vida dos maringaenses neste ano. Segundo ele, a medida foi uma escolha amarga, mas necessária para proteger o futuro do orçamento municipal diante da Reforma Tributária.

Com a extinção do ISS — imposto sobre serviços que Maringá arrecada com força nos setores de educação, TI e saúde —, a cidade corre o risco de perder receita para os locais onde o serviço é consumido. O Governo Federal garantiu que manterá o repasse baseado na média de arrecadação dos últimos cinco anos. “Todos os municípios estão correndo para subir essa média agora. Se deixarmos a arrecadação baixar, as próximas gerações não terão recursos”, justifica.

Fiscalização: PPP da Iluminação e manejo de árvores

A atuação parlamentar de Telles também foca na eficiência dos serviços públicos. Ele detalhou as irregularidades apontadas por uma comissão de vereadores que investigou a PPP da Iluminação. O trabalho dos vereadores revelou que a empresa vencedora falhou em entregar a cidade 100% em LED no prazo estipulado (janeiro de 2026). “O verificador independente não fiscalizava. Apontamos indícios de acordo e agora a Prefeitura precisa tomar providências sérias”.

Sobre a arborização, Telles propõe uma saída inovadora para o custo de R$ 80 milhões estimado para o manejo das árvores em risco. Como fundador do Observatório do Meio Ambiente, ele defende que Maringá busque certificação para créditos de carbono. “Se comprovarmos o respiro que geramos para o mundo, podemos receber de R$ 1 a R$ 3 milhões por ano. Isso pagaria a manutenção necessária”, propõe.

Para Telles, Maringá não pode mais ser pensada de forma isolada. Ele critica a competição entre cidades vizinhas, como Paiçandu e Sarandi, e defende a criação de uma governança metropolitana real, com fundo de recursos próprios.

O vereador vai além e sugere uma aliança estratégica com Londrina para manter a relevância econômica do Norte e Noroeste frente ao crescimento do agronegócio no Oeste do estado e a passagem de uma ferrovia por aquela região. “Ou pensamos no futuro juntos, ou padeceremos de grandes perdas econômicas com o deslocamento das riquezas para o Oeste”, analisa.

Bastidores e o cenário para 2026

Telles relembrou momentos de tensão na Câmara, como os dois meses em que assumiu a presidência interina durante o afastamento de Mário Hossokawa em 2025. Ele descreveu o período como uma “experiência extraordinária de lidar com a adversidade”, apesar das rusgas administrativas da época.

Questionado sobre 2026, o vereador confirmou que seu nome está à disposição para disputar uma vaga na Câmara Federal. Ele ressaltou a dificuldade de sobrevivência política em um sistema de “partidos com donos”, mas reforçou seu compromisso com o grupo político atual. “Existe a necessidade de estrutura e de quadros técnicos que entendam a máquina pública para representar Maringá em Brasília”, conclui.

Serviço

A entrevista completa com o vereador Sidnei Telles está disponível no canal do Maringá Post no YouTube. E, ao longo da semana, o leitor poderá acompanhar vários cortes do podcast nas redes sociais do jornal – além de outras matérias temáticas envolvendo o que disse o vereador no Ponto a Ponto.

Assista a entrevista completa clicando no link.