O governo da Austrália alertou nesta segunda-feira (20) que o país enfrenta “o maior choque energético de sua história”, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e às dificuldades no transporte de petróleo pelo estratégico estreito de Ormuz.
Em entrevista à emissora pública ABC, o ministro da Indústria e Ciência, Tim Ayres, classificou o cenário como “altamente volátil”. A declaração veio após um navio da Marinha dos Estados Unidos abrir fogo contra uma embarcação que, segundo Washington, tentava furar o bloqueio imposto aos portos iranianos.
Militares iranianos afirmaram que o ataque americano, ocorrido nas proximidades do estreito de Ormuz, violou o cessar-fogo firmado entre Teerã e Washington. Em resposta, disseram ter realizado ataques com drones contra embarcações dos Estados Unidos.
No sábado, o Irã voltou a impor um “controle rigoroso” sobre o estreito, apenas um dia depois de anunciar a reabertura da passagem. Paralelamente, os Estados Unidos passaram a implementar um bloqueio naval direcionado ao país, com o objetivo de impedir a entrada e saída de mercadorias.
“É por isso que o governo australiano tem defendido a redução e o fim das hostilidades”, afirmou Ayres. Segundo ele, as autoridades estão adotando medidas para reforçar a segurança no abastecimento de combustíveis e fertilizantes, tanto no país quanto na região.
O ministro explicou que essas ações buscam criar uma “reserva estratégica” para proteger a população dos impactos desse cenário, que classificou como um choque energético sem precedentes.
Apesar disso, Ayres minimizou as oscilações imediatas nos preços dos combustíveis e destacou que a situação ainda está em constante mudança. “É importante não focarmos nas variações diárias”, afirmou.
De acordo com ele, a estratégia do governo envolve duas frentes: garantir o fornecimento de energia no curto prazo e fortalecer a economia no longo prazo. Nesse sentido, citou investimentos para ampliar a capacidade industrial e energética da Austrália.
O ministro não confirmou se o governo pretende estender medidas temporárias de alívio no custo de vida, como reduções de impostos sobre combustíveis ou taxas aplicadas a veículos pesados.
Nos mercados asiáticos, os preços do petróleo voltaram a subir. O barril do tipo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou cerca de 7%, sendo negociado a US$ 90,05 (aproximadamente R$ 450,25). Já o Brent, referência global, subiu 6,06%, chegando a US$ 95,86 (cerca de R$ 479,30).
Segundo Chris Weston, analista da corretora Pepperstone, o principal fator para a alta foi a apreensão de um navio iraniano pelas forças americanas no golfo de Omã, seguida pela promessa de retaliação por parte do Irã.
















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