Destaques do Dia Maringa Policia

Bolsas despencam pelo mundo após Irã anunciar fechamento do estreito de Hormuz

Bolsas despencam pelo mundo após Irã anunciar fechamento do estreito de Hormuz

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O acirramento das tensões no Oriente Médio e o temor de uma interrupção no fluxo global de petróleo impactam as Bolsas em todo o mundo nesta terça-feira (3). Segundo analistas, a preocupação de que o conflito entre EUA e Israel contra o Irã tem aumentado a busca por ativos de segurança e gerado uma maior aversão ao risco.

O movimento tem como foco o anúncio, feito pelo Irã na segunda-feira (2), do fechamento do estreito de Hormuz, importante rota para o escoamento do petróleo mundial. A Guarda Revolucionária do país ameaçou incendiar navios que tentassem atravessá-lo.
O episódio abalou o otimismo dos mercados globais, com as Bolsas asiáticas acumulando perdas de até 7% e o índice de referência europeu, o Euro STOXX 600, registrando uma das maiores quedas em um ano. No Brasil, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário, tomba mais de 4%.
Na China, os principais índices registraram os piores desempenhos em semanas ou meses.

O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, desvalorizou 1,43%. Foi o pior resultado de ambos desde 2 de fevereiro.

O índice ChiNext Composite, que reúne startups, caiu 2,57%. O índice STAR50 de Xangai, focado no setor de tecnologia, caiu 5,21%, registrando a pior sessão desde 10 de outubro.
Os mercados de outros países asiáticos também fecharam em queda: Tóquio (-3,1%), Seul (-7,24%), Hong Kong (-1,12%) e Taiwan (-2,2%).

“As pessoas estão reduzindo o risco”, disse Peter Schaffrik, estrategista macro global da RBC Capital Markets. “O mercado parece estar mentalmente fazendo a transição de uma guerra curta para uma guerra longa”.

Na Europa, as principais Bolsas caíram mais de 3% nesta terça. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em baixa de 3,64%, no maior recuo desde abril do ano passado.
Na época, a Bolsa europeia registrou quedas diárias de mais de 4% em função do anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump.
O movimento de queda também foi observado nas Bolsas de Frankfurt (-3,59%), Londres (-2,75%), Paris (-3,46%), Madri (-4,57%) e Milão (-3,92%).

“É venda por pânico”, disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias do Barclays. “O mercado estava complacente quanto à escala desta guerra [antes do fim de semana].”

As Bolsas dos EUA também tiveram quedas acentuadas. A Bolsa Nasdaq caiu 1,02%, enquanto o Dow Jones desvalorizou 0,83% e o S&P 500 recuou 0,94%.

No Brasil, o dólar fechou em forte disparada de 1,87%, cotado a R$ 5,261, enquanto o Ibovespa tombou 3,45%, a 182.775 pontos. A moeda também se valoriza no exterior, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outros seis pares fortes, subindo 0,42%.

As tensões também impactam o mercado de commodities, com o petróleo registrando alta de 9% na máxima do dia. Na máxima do dia, o petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024, quando o barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 85,35. Os preços do gás na Europa dispararam 36%.

Segundo Bruno Cordeiro, especialista de energia da StoneX, caso os conflitos se mantenham na região, a expectativa é de novas altas. “Os preços do petróleo seguirão avançando, com os consumidores buscando outros fornecedores capazes de suprir parte da sua demanda, encontrando esses no Leste Europeu (Rússia) e América Latina”, afirma.

Leia Também: Empresariado teme votação sobre jornada 6×1 em ano eleitoral no país