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Brasil cria protocolo para combater violência contra jornalistas

Brasil cria protocolo para combater violência contra jornalistas

Por Rafaela Coleone

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

No Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira (7), o governo federal oficializou um protocolo nacional voltado à investigação de crimes contra jornalistas e comunicadores. A medida busca fortalecer a proteção à liberdade de imprensa e padronizar a atuação das autoridades diante de casos de violência relacionados ao exercício da profissão.

Assinado oficialmente durante cerimônia no Palácio do Planalto pelo ministro da Justiça e Segurança pública, Wellington César Lima e Silva, o documento estabelece instruções para que órgãos de segurança pública atuem de forma mais eficiente, considerando não apenas o crime em si, mas também sua possível relação com a atividade jornalística.

Ou seja, agora existe um “manual oficial” de como a polícia e o Estado devem agir quando um jornalista sofre ameaça, agressão ou algo mais grave. A iniciativa mostra uma estratégia mais ampla de enfrentamento à violência contra profissionais da comunicação no país.

O protocolo prevê ações imediatas de proteção às vítimas e seus familiares, além de proteger jornalistas rapidamente quando estiverem em risco, melhorar as investigações desses crimes; evitar que casos fiquem impunes e garantir que a profissão possa ser exercida com segurança.

Na pratica ele se baseia em quatro pilares principais:

  1. Proteção imediata da vítima e da família dos profissionais de comunicação;
  2. Investigação mais qualificada, levando em consideração que o crime pode ter relação com o trabalho jornalístico;
  3. Coleta e preservação de provas, contando como as evidencias do crime devem ser tratadas para garantir que as investigações funcione de verdade.
  4. Escuta adequada das vítimas, garantindo que os relatos sejam tratados com a devida sensibilidade e relevância no processo investigativo.

A nova norma também reforça a necessidade de cooperação entre diferentes instituições, criando um padrão nacional de atuação dentro do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

Representantes de entidades ligadas ao jornalismo, como a Federação Nacional dos Jornalistas e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, entre outros, também participaram da construção do protocolo e destacaram a importância da medida como uma resposta histórica a reivindicações da categoria. A expectativa é de que o instrumento contribua para garantir maior segurança no exercício da profissão e fortalecer o acesso da sociedade a informações de interesse público.

Por que isso é importante?

Porque atacar jornalistas não afeta apenas uma pessoa. Afeta a sociedade toda. Sem segurança para os profissionais de comunicação, menos informações chegam ao público, a verdade pode ser escondida e a democracia fica mais fraca.

Dados recentes indicam que o Brasil ainda enfrenta desafios reais no que diz respeito à liberdade de imprensa. Com registros de ataques e episódios de violência que impactam diretamente no direito a informação, o País está na 63º posição no ranking mundial.

Durante o evento, também foi lançado um concurso nacional de jornalismo voltado à cobertura de temas como meio ambiente, povos indígenas e comunidades tradicionais. Homenageando o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, assassinados em 2022, e busca incentivar produções comprometidas com a defesa de direitos e a comunicação de interesse público.