SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois meses após a disputa da Copa Africana de Nações, o comitê de apelações da CAF (Confederação Africana de Futebol) retirou o título conquistado pelo Senegal e declarou Marrocos como vencedor, conforme anunciou a entidade máxima do futebol africano nesta terça-feira (17).
A CAF decidiu “declarar que a seleção senegalesa perdeu a final por WO”. Dessa forma, “o resultado foi oficialmente registrado como 3 a 0” em favor da seleção marroquina, especificou o comunicado. A partida havia terminado 1 a 0 para o Senegal.
Vários jogadores senegaleses deixaram o campo temporariamente durante a final em protesto contra uma decisão da arbitragem.
A decisão ocorre após recurso apresentado pela FRMF (Federação Real Marroquina de Futebol) e foi tomada com base nos artigos 82 (deixar o campo antes do término regular da partida sem autorização do árbitro) e 84 (a equipe que infringir as disposições do artigo 82 será eliminada da competição e perderá a partida por 3 a 0) do regulamento.
O conselho disciplinar da CAF havia rejeitado o protesto inicial de Marrocos, mas o comitê de apelação reverteu a decisão e deu ganho de causa aos marroquinos.
Em nota, a federação marroquina afirmou que “sua abordagem nunca teve a intenção de contestar o desempenho esportivo das equipes participantes desta competição, mas apenas de solicitar a aplicação dos regulamentos da competição.”
A entidade também afirmou que “reafirma seu compromisso com o respeito às regras, garantindo clareza no quadro competitivo e mantendo a estabilidade dentro das competições africanas.”
A FSF (Federação Senegalesa de Futebol) ainda não se manifestou sobre a decisão.
Senegal abandonou o campo em protesto contra um pênalti marcado nos minutos finais do tempo regulamentar. A infração foi assinalada após revisão do VAR pelo árbitro congolês Jean-Jacques Ndala, que identificou um puxão de El Hadji Malick Diouf sobre Brahim Díaz na disputa de um escanteio, já aos cinco minutos dos acréscimos.
Enquanto o árbitro consultava o monitor à beira do campo, houve empurra-empurra entre jogadores e membros das comissões técnicas. Após a confirmação da penalidade, a equipe senegalesa deixou o gramado.
Os jogadores chegaram a retornar e venceram Marrocos, país-sede, por 1 a 0 na prorrogação, conquistando o título em meio a um cenário de forte tensão.
O técnico Pape Bouna Thiaw foi o responsável por ordenar a saída de campo, mas acabou convencido por Sadio Mané a fazer a equipe retornar para a conclusão da partida.
Posteriormente, Thiaw foi suspenso, punição válida apenas para os próximos jogos das eliminatórias da Copa Africana de Nações, que começam após a Copa do Mundo de junho -competição para a qual Senegal e Marrocos já estão classificados.
Com a decisão anunciada nesta terça-feira, Marrocos passa a ser reconhecido como campeão africano pela segunda vez, encerrando um jejum de 50 anos desde a sua primeira conquista.
















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