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Crianças com hemofilia atendidas pelo Hemocentro da Universidade Estadual de Maringá (UEM) começaram a receber um tratamento menos invasivo para tratar a doença. Desde março deste ano, o serviço passou a aplicar o medicamento emicizumabe, liberado pelo Governo Federal para pacientes menores de sete anos em outubro de 2025.
A nova terapia representa uma mudança importante na rotina de muitas famílias. Antes, o tratamento era feito com o chamado Fator VIII, administrado diretamente nas veias, geralmente duas ou três vezes por semana. Com o emicizumabe, a aplicação é feita por via subcutânea, semelhante a uma injeção sob a pele, e pode ocorrer apenas uma vez por semana, ou até com intervalos maiores, dependendo da indicação médica.
A mudança já faz diferença na vida da família de Bernardo Gonzaga Freitas, de 4 anos, morador de Astorga e paciente do Hemocentro da UEM. A mãe, Edna Maiara Pereira Gonzaga, conta que a rotina ficou mais simples desde o início do novo tratamento.
Antes, ela precisava medicar o filho três vezes por semana com o Fator VIII. Agora, a aplicação é semanal e pode ser feita em casa.
“Eu vim ao Hemocentro na semana passada, agora nesta e tenho mais duas visitas. Levo o medicamento para casa e administro eu mesmo. É um ganho de tempo muito grande”, contou Edna, de 26 anos. Segundo ela, após apenas uma semana de uso, já foi possível perceber melhorias. “Os roxos nele diminuíram e agora acreditamos que será possível iniciar uma fisioterapia mais intensiva.”

De acordo com a médica hematologista pediátrica Alessandra Borges, o principal avanço da nova medicação está justamente na forma de aplicação.
“Os tratamentos com acesso venoso eram realizados de duas a três vezes na semana, o que causava estresse em muitas crianças. O tratamento com a nova medicação pode ser feito uma vez por semana, a cada 15 dias ou, dependendo, até uma vez ao mês”, explica.
O diretor do Hemocentro da UEM, Gerson Zanusso Jr., destaca que a nova terapia também contribui para reduzir complicações da doença ao longo da vida.
“Um ponto importante é que, quanto menor o episódio de sangramento, menor o risco de complicações crônicas. A melhora é imediata, além de minorar o risco de efeitos crônicos da doença com o passar dos anos”, apontou.
Outro ponto considerado importante é que a aplicação só é possível porque o medicamento foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com dados do Governo Federal, o tratamento com emicizumabe pode custar entre R$ 300 mil e R$ 350 mil por ano na rede privada, valor que se tornaria inviável para muitas famílias.
A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar gradualmente o uso da medicação. Atualmente, ela já está disponível no SUS para algumas faixas etárias e situações clínicas específicas, e estudos avaliam a expansão do acesso para mais pacientes nos próximos anos.
















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