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Da horta às gôndolas: agricultora familiar da região faz sucesso com marca própria de pimentas vendida em todo o Paraná

Da horta às gôndolas: agricultora familiar da região faz sucesso com marca própria de pimentas vendida em todo o Paraná

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É de uma propriedade rural localizada em Ourizona (a 36 quilômetros de Maringá) que sai a produção de uma marca que faz sucesso em todo o Paraná. A “Sabor da Vila”, especializada em pimentas artesanais e com um catálogo que também envolve outros itens do campo, é responsável por distribuir seus produtos em supermercados de todo o noroeste do estado. A lista de compradores também têm lojas em Ponta Grossa, Paranaguá, Curitiba e região metropolitana.

Por mês, são mais de 100 caixas de produtos distribuídas aos clientes, entre eles uma grande rede de supermercados. Por trás desse negócio de sucesso está Maria Lúcia da Silva, de 58 anos. Empreendedora e agricultora familiar, ela usou todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos e uniu o melhor desses dois mundos para ampliar o próprio negócio e também prestar auxílio para outros produtores da região que buscam expandir suas vendas.

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Natural do nordeste do Brasil, Maria chegou ao Paraná em 2000, para morar na Vila Rural de Atalaia (a 53 quilômetros de Maringá). Ela conta que foi inserida no meio rural desde cedo, ajudando os pais na agricultura de subsistência, quando a produção é direcionada para o próprio consumo.

“Eu sou nordestina, meu pai plantava lá de subsistência. É diferente a agricultura lá no nordeste, todo ano a gente plantava, a gente fala “colocar o roçado”, sabe? A expressão era essa, plantava uma roça, muitas vezes em terras de outras de pessoas, porque meu pai não tinha terra. Então, é nesse contexto que eu conheço a agricultura, a agricultura de subsistência. Eu vim para Vila Rural de Atalaia e, ali, eu plantava e vendia algumas coisas na feira da cidade e foi assim que eu fui inserida nesse meio”, relembra.

Em solo paranaense, Maria passou por um processo de adaptação. Após o término com o ex-marido, se viu sozinha em um local, até então, desconhecido. No entanto, não abaixou a cabeça e, ao observar a abundância de água para o plantio e com a experiência adquirida, viu que a terra poderia ser um meio de vida.

“A gente aprendeu a cultivar em um local (nordeste) que não tinha água. Aqui, com a água mais presente, eu vi que podia plantar de tudo. Então, desde o começo, eu já sobrevivia da agricultura familiar. Plantava para mim e, o que sobrava, sempre vendi na feira. No entanto, houve um episódio que me inseriu na agroindústria, que foi quando uns conhecidos pediram para outras famílias, lá da Vila Rural, sobre a possibilidade de plantar pimentas. Essas famílias não se interessaram, mas eu sim. Foi quando conversamos para iniciar uma pequena fábrica de conservas”, conta.

Após as primeiras produções, a agricultora viu a demanda aumentar cada vez mais. Os produtos, inicialmente, eram vendidos na própria comunidade e, após alguns anos trabalhando para os antigos sócios, Maria foi buscar estudo e especialização no assunto para criar a própria agroindústria.

Deste esforço e união do campo e empreendedorismo que nasceu, em 2007, a Sabor da Vila.

“Hoje eu atendo a rede Condor (de Supermercados) em todo o noroeste, também Curitiba, Ponta Grossa, Paranaguá. Às vezes eu até perco as contas de quanto vendemos. Em média, há uma demanda de umas 100 caixas de conservas por mês”, descreveu a empreendedora.

Conhecida no ramo da agricultura familiar na região de Maringá, Maria Lúcia sempre foi uma referência para outros produtores. Em 2015, após um período de mapeamento do setor coordenado pelo Sebrae, surgiu a Associação Regional da Agroindústria, entidade da qual a empresária foi a primeira presidente.

O objetivo da iniciativa era oferecer consultoria e auxilio para produtores que queriam ampliar suas vendas. Com diversas ações realizadas ao longo do tempo, entre elas a famosa Feira da Agroindústria anualmente presente na Expoingá, o grupo já conta com cerca de 150 agricultores.

“Estou na entidade desde o início, graças a Deus. Reconheço o esforço de todos os envolvidos, sou apenas uma das folhas dessa grande árvore. É muito gratificante a gente ver, ao longo desse trabalho, outros produtores que também conseguiram levar seus produtos para os supermercados, feiras, sempre crescendo o negócio”, finalizou.