Após críticas nos bastidores do governo e do PT à postura recente do Banco Central, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, evitou avaliar diretamente a atuação do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo. “Eu não vou comentar o papel do BC porque tem a sua competência”, disse. Ainda assim, afirmou que, “do lado da Fazenda”, há decisões “colocando na mesa” para reforçar o ajuste fiscal, citando “reforma tributária”, a revisão do Perse e “corte linear de 10% nos benefícios tributários”. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
O Palácio do Planalto e o PT intensificaram críticas a Galípolo após o depoimento do presidente do BC à CPI do Crime Organizado, na quarta-feira (8). Na ocasião, ele afirmou não haver indícios de responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no caso Master, contrariando a estratégia governista de associar as fragilidades da instituição à gestão de Jair Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a se referir ao Master como “ovo da serpente” de Bolsonaro e Campos Neto.
Na entrevista, Durigan manteve um tom técnico. O ministro afirmou que “o fiscal não é motivo” para o Banco Central “colocar o pé no freio” e disse adotar uma postura de “cautela”, com o compromisso de não repetir o cenário de 2022. “Não vamos deixar pauta-bomba do Executivo para as próximas gestões, como aconteceu em 2022. Não vamos repetir esse cenário para 2027”, declarou. Ele acrescentou que o governo não está adiando temas como precatórios e Fundeb, nem “tirando IPI ou IOF do próximo governo”.
Questionado sobre duas vagas em aberto na diretoria do Banco Central, Durigan afirmou que ainda não discutiu o tema com o presidente Lula. “Não tive a oportunidade de tratar com o presidente Lula sobre isso”, disse.
Sobre a situação do BRB, o ministro afirmou que a orientação do governo é de que “não deve haver ajuda federal” e reforçou que a responsabilidade recai sobre o governo do Distrito Federal, acionista da instituição.
“A orientação é que não deve haver ajuda federal. Os bancos federais, atuando como bancos, podem avaliar o interesse em comprar carteira, operação, imóvel. Os bancos privados estão avaliando. O que a gente não pode perder de vista é que a responsabilidade é do governo do Distrito Federal, acionista do BRB”, afirmou.
Em meio a uma nova crise de liquidez, o BRB negocia a venda de ativos herdados do Banco Master por R$ 15 bilhões e busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outras instituições financeiras para cobrir o rombo deixado pela gestão de Daniel Vorcaro.
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