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Filipe Luís nega que tentou relativizar racismo contra Vini Jr

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O técnico Filipe Luís, do Flamengo, emitiu um posicionamento em relação à declaração dada nesta quinta-feira (19) sobre Vini Jr após a derrota do clube carioca por 1 a 0 para o Lanús -na ocasião, o treinador citou em entrevista coletiva que o racismo sofrido pelo jogador do Real Madrid foi um “caso isolado”.

Filipe negou ter relativizado ou minimizado “qualquer atitude racista”. Ele iniciou seu texto relembrando a pergunta de um jornalista, que indagou o brasileiro sobre a recepção dada pelos argentinos ao Flamengo.

O técnico, no entanto, admitiu que sua declaração deu “margem para interpretações distintas”. Ele escreveu ainda ter condenado o tema em uma entrevista dada antes de a bola rolar.

Por fim, o comandante rubro-negro falou que o racismo no Brasil é “crime” e “conduta inaceitável”. Filipe ainda demonstrou apoio a Vini Jr.

O QUE FILIPE FALOU NESTA QUINTA-FEIRA?

“Sempre fui tratado bem aqui, me encanta a Argentina, sempre fui muito feliz, muito bem-recebido. Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado desses não influencia em nada do que penso deste país tão lindo.”

O QUE FILIPE ESCREVEU NESTA SEXTA-FEIRA?

“Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.

Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.

Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.

Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.

Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.”

ACUSAÇÃO DE RACISMO

Vini Jr. acusou o argentino Prestianni de ter cometido racismo durante jogo pela Champions League. O caso teria acontecido logo após o brasileiro marcar o gol da vitória do Real Madrid sobre o Benfica por 1 a 0.

O atacante anotou um golaço, fez uma dancinha e foi confrontado por Prestianni. Vini Jr. levou a denúncia ao árbitro logo depois do adversário dizer algo com a camisa cobrindo a boca. O juiz François Letexxier ativou o protocolo, mas ninguém foi punido e o jogo seguiu.

Vini Jr. se manifestou nas redes sociais após o jogo. “Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos”, escreveu o brasileiro.

Prestianni se defendeu da acusação. “Quero aclarar que em nenhum momento dirigi insultos racistas a Vini Jr que, lamentavelmente, interpretou mal o que acredita ter escutado. Jamais fui racistas com alguém e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid”, disse o argentino.

O Real Madrid afirmou, nesta quinta-feira, que enviou provas à Uefa sobre a suposta atitude racista de Prestianni. A entidade investiga o caso.

Jogadores do Real Madrid, CBF e ex-atletas manifestaram apoio a Vini Jr. após a acusação de racismo. “Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum. Vini, você não está sozinho”, escreveu a CBF.

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