BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um homem de 37 anos foi preso nesta quinta-feira (26) sob suspeita de matar a mulher, de 26, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prisão ocorreu após a polícia identificar indícios de violência doméstica e descartar a hipótese inicial de suicídio.
Policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência na rua Geralda Paixão, no bairro Nossa Senhora de Fátima, inicialmente tratado como tentativa de suicídio. No local, a vítima, Stefany Josepha Siqueira Lopes, foi encontrada no chão, sem sinais aparentes de vida.
Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito, Josenilton Alves de Almeida, afirmou que estava dormindo e que, ao acordar, encontrou a companheira pendurada. Ele disse ainda que ela estava fria ao toque e que pediu socorro, enquanto vizinhos tentaram realizar manobras de reanimação, sem sucesso.
A versão, no entanto, passou a ser questionada ainda nas primeiras diligências. De acordo com a polícia, testemunhas relataram que a mulher havia sido agredida na noite anterior.
O irmão da vítima também apresentou mensagens de WhatsApp enviadas por ela horas antes, nas quais relatava agressões por parte do companheiro. Em uma das mensagens, ela enviou uma imagem que mostrava lesão na região dos olhos.
Conforme a polícia, o ponto de fixação do laço estava a mais de dois metros de altura, e o exame necroscópico inicial não indicou sinais compatíveis com morte por enforcamento nessas condições.
Diante dos indícios, a hipótese de suicídio foi descartada, e o homem foi autuado em flagrante. O registro da ocorrência não menciona o responsável pela defesa de Josenilton e a reportagem não conseguiu localizar eventual representante constituído.
O boletim de ocorrência informa que o suspeito possui antecedentes criminais, incluindo violência doméstica, contra a própria Stefany e outra mulher, além de roubo.
O caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica e fraude processual no 3º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Exames periciais foram solicitados ao Instituto Médico Legal (IML).
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que em 2025, o país contabilizou 1.568 vítimas, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Os números indicam que a violência atravessa diferentes fases da vida, mas se concentra principalmente na idade adulta. Entre os casos analisados de 2021 a 2024, 1.685 vítimas tinham entre 18 e 29 anos (29,4%), enquanto 2.864 mulheres estavam na faixa de 30 a 49 anos (50%). Outras 887 vítimas tinham mais de 50 anos (15,5%).
Na maioria das ocorrências, o agressor tinha relação direta com a vítima: 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-parceiro.Entre os casos com autoria identificada, 97,3% foram cometidos por homens. Apenas 4,9% dos casos foram cometidos por desconhecidos.
Casos recentes registrados em São Paulo ilustram esse padrão. Tainara Souza Santos, 31, morreu após passar quase um mês internada no Hospital das Clínicas depois de ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por um carro dirigido por Douglas Alves da Silva, com quem havia mantido um relacionamento no passado.
Amiga dela, Priscila Versão, 22, também foi morta meses depois. O suspeito é Deivit Bezerra Pereira, com quem ela teve um relacionamento e dois filhos. Familiares relataram que Priscila chegou a participar de um protesto pedindo justiça pelo ataque contra Tainara.
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