O Japão iniciou nesta segunda-feira (9) o processo de instalação do primeiro lote de mísseis de longo alcance desenvolvidos no país, em meio ao reforço das capacidades militares diante do aumento das tensões na região.
Os mísseis terra-mar Type-12 modernizados serão posicionados no Campo Kengun, na província de Kumamoto, no sudoeste do Japão. O destacamento deve ser concluído até o fim de março, segundo afirmou o secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara.
Durante a madrugada, veículos militares transportando lançadores e outros equipamentos chegaram ao local em uma operação discreta. A movimentação, no entanto, foi criticada por moradores da região, que realizaram protestos nas proximidades da base.
Os opositores acusam o governo de falta de transparência e afirmam que a instalação do sistema pode aumentar as tensões na área, além de transformar a base em um possível alvo de ataques.
Em 2024, o Ministério da Defesa decidiu antecipar em um ano o cronograma de implantação dos mísseis.
Nos últimos anos, o Japão tem intensificado o reforço militar no sudoeste do arquipélago, em meio ao aumento da pressão da China sobre Taiwan, ilha autônoma cuja soberania é reivindicada por Pequim.
O míssil Type-12 modernizado, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries, tem alcance aproximado de mil quilômetros, muito superior aos cerca de 200 quilômetros da versão original. Com isso, o armamento pode atingir áreas do território continental chinês.
O sistema também deverá ser instalado ainda este ano no Campo Fuji, na província de Shizuoka, a oeste de Tóquio.
O governo japonês considera a China uma ameaça crescente à segurança regional e tem ampliado a presença militar nas ilhas do sudoeste, próximas ao Mar da China Oriental. Sistemas antimísseis PAC-3 e mísseis superfície-ar de médio alcance já foram posicionados em várias ilhas, incluindo Okinawa, Ishigaki e Miyako.
Em fevereiro, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou que Tóquio também pretende instalar sistemas de defesa aérea de médio alcance na ilha de Yonaguni, a mais ocidental do país e localizada a leste de Taiwan, até março de 2031.
As tensões aumentaram em novembro, após a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmar, pouco depois de assumir o cargo, que uma eventual ação militar chinesa contra Taiwan poderia justificar uma resposta militar do Japão.
Takaichi também se comprometeu a revisar a política de segurança e defesa até o fim do ano e pretende ampliar as capacidades militares do país com o desenvolvimento de armas não tripuladas e mísseis de longo alcance.
O governo japonês ainda avalia eliminar, nas próximas semanas, algumas restrições à exportação de armamentos letais, com o objetivo de fortalecer a indústria nacional de defesa e ampliar a cooperação militar com países aliados.
















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