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João Vítor Mazzer: do entretenimento ao futebol, o empresário que conecta eventos, gestão e o projeto do Maringá FC

João Vítor Mazzer: do entretenimento ao futebol, o empresário que conecta eventos, gestão e o projeto do Maringá FC

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O empresário João Vítor Mazzer, presidente do Maringá Futebol Clube e referência no setor de entretenimento no Paraná, foi o entrevistado do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, gravado no fim de 2025. Ao longo da conversa, ele percorreu a própria trajetória — da graduação em Direito à liderança de um dos maiores grupos de formaturas do estado — e detalhou sua visão sobre gestão, cultura organizacional, prestação de serviços e o modelo de desenvolvimento do Maringá FC como SAF, já projetando os desafios para 2026.

“A vida foi rumando para outros lados”, resumiu Mazzer ao relembrar a adolescência sociável e o início precoce na produção de festas, ainda antes da faculdade. Formado em Direito pela UEM, ele afirmou que a guinada para o entretenimento se deu de forma orgânica, alimentada pelo ambiente universitário e pelas oportunidades que surgiram com o crescimento das festas acadêmicas.

Da UEM para as grandes festas

Mazzer contou que entrou na graduação com planos claros de seguir carreira jurídica e até pensava em concursos, mas já no começo do curso a rotina acadêmica se misturou com a prática de organizar eventos. Ele atuou em casa noturna, participou do boom das atléticas e lembra que a combinação entre paixão e oportunidade foi decisiva.

“Na faculdade foi algo um pouco até orgânico… as oportunidades foram aparecendo, fui abraçando e cá estou”, disse.

Mesmo sem seguir na advocacia, Mazzer defendeu a importância de concluir a formação superior, especialmente quando a mudança de rumo acontece no meio do caminho.

“Não só concluí, como sempre fui um defensor que as pessoas concluam… você não sabe o dia de amanhã”, afirmou. Ele destacou que mantém a OAB ativa e que, na época, ainda acreditava na possibilidade de atuar na área jurídica.

Euphoria: a empresa que virou líder em formaturas

Ao explicar a origem do Grupo Euphoria, Mazzer disse que a marca surgiu a partir da união com o sócio Batista, que já usava o nome em Ponta Grossa. A junção ocorreu depois do contato nos eventos universitários e o projeto ganhou corpo quando a empresa entrou no mercado de formaturas, em 2010.

Na entrevista, ele afirmou que hoje a Euphoria se tornou a maior empresa do Paraná no segmento, com unidades físicas em Maringá, Londrina, Ponta Grossa e Curitiba, e com atuação ampla no estado. “A Euphoria é a maior empresa do Paraná… por volume de negócios”, disse.

Para Mazzer, o crescimento está ligado a uma obsessão por gestão, busca por conhecimento e capacidade de romper modelos tradicionais.

“A gente não sabia ainda como, mas queria ser grande… queria ser disruptivo no mercado”, afirmou, citando consultorias e aprendizados acumulados ao longo da trajetória. Ele mencionou que a leitura do livro Sonho Grande marcou a cultura interna do grupo. “Amor, gestão, sonho e muita paixão diariamente pelo que a gente faz”, resumiu.

Novos negócios: foto, buffet, bares e a lógica das oportunidades

No podcast, Mazzer descreveu a estrutura do grupo como um conjunto de empresas com sociedades diferentes, organizadas sob uma holding. A expansão foi ocorrendo conforme necessidades apareciam: buffet, coquetelaria e, principalmente, foto e vídeo de formaturas — área que, segundo ele, passou por uma transformação com foco em tecnologia.

Entre os marcos, destacou a criação de uma operação que rompeu com práticas tradicionais do setor. “Foi a primeira empresa do Brasil a acabar com o álbum físico de formatura e ir para o digital”, afirmou.

Ele também explicou a entrada do grupo no setor de bares e casas de eventos, lembrando que o movimento misturava ousadia e imprudência típicas da juventude. Ao falar do Noah Eventos, por exemplo, destacou a versatilidade do espaço e um dado de agenda que, segundo ele, mostra a dinâmica do mercado local. Na época em que o podcast foi gravado, o local estava num período de 52 dias com 47 eventos. 

Serviço, cultura e exigência por qualidade

Um dos trechos centrais da conversa foi dedicado aos desafios de manter padrão de qualidade em um negócio de serviços. Para Mazzer, a prestação de serviço tem risco diário porque depende de pessoas e do desempenho em cada entrega. 

Ele exemplifica: “Se a camareira não arrumou o seu quarto bem, para você não importa se os outros 1.200 foram bem arrumados”, comparou, ao explicar por que a experiência do cliente é sempre individual.

Ele também afirmou que, quando um fornecedor falha, a percepção do público recai sobre a marca contratante — e não sobre o prestador. “O cliente não vai falar ‘a empresa de decoração errou’… ele vai falar que a Euphoria errou”, disse. 

Segundo Mazzer, a empresa mantém protocolo e manual de operação, e os fornecedores precisam se adaptar ao padrão exigido. “Na Euphoria, a gente tem um protocolo… o fornecedor, para trabalhar conosco, precisa seguir esse manual”, afirmou.

Eventos como termômetro econômico de Maringá

Ao comentar a força do setor na cidade, Mazzer defendeu que eventos são um reflexo direto da economia local e do comportamento de consumo. “O evento é o retrato da economia da cidade”, afirmou, relacionando o ritmo do mercado a ciclos de segmentos como o agronegócio e à expansão do corporativo em Maringá nos últimos anos.

A6 e shows pelo Brasil: produção e “venda de datas”

Além do Grupo Euphoria, Mazzer detalhou a atuação na A6, empresa voltada a grandes eventos com atuação em diferentes regiões do país. Ele explicou que a empresa opera em duas frentes: produção de eventos próprios e venda de shows, atendendo produtores, empresas e poder público.

“Nós vendemos… 284 datas de artistas no ano passado”, disse, projetando crescimento no ano seguinte e destacando que a operação atende diferentes estados do país.

Maringá FC: a entrada pelo marketing e a virada como projeto de vida

Na parte final da entrevista, Mazzer contou como o futebol entrou de vez na vida dele. A aproximação começou alguns anos antes, mas o convite para integrar o clube veio por meio do médico Gustavo Pozzobon. Ele entrou inicialmente como diretor de marketing e, ao longo do processo, assumiu a presidência.

“Eu não tinha ideia… do tamanho que era o mercado, do projeto e do que viria se tornar a indústria do futebol brasileiro”, afirmou.

A motivação, segundo ele, também teve componente emocional ligado à cidade. “Eu tinha aquela frustração de passar no [estádio] Willie Davids e pensar: olha esse estádio no metro quadrado mais caro da cidade”, disse, ao justificar o desejo de ver o futebol como plataforma estruturada em Maringá.

Mazzer afirmou que hoje completa quase uma década de trajetória no clube e descreveu a entrada no futebol como uma decisão que exigiu “abraçar” o desafio após perceber a complexidade real do setor. “Ou você joga a toalha, ou você abraça e vai para cima. E foi o que eu fiz”, declarou.

SAF associativista, aporte milionário e o desafio de virar clube Série B

O entrevistado explicou que o Maringá passou a se comportar como SAF antes mesmo da legislação, convidando investidores para pulverizar o custo e profissionalizar o projeto. Segundo Mazzer, foram mais de R$ 23 milhões aportados em nove anos — valor que, corrigido, poderia se aproximar de R$ 30 milhões. “Esse foi o grande negócio: trazer pessoas boas para dividir essa conta”, afirmou.

Ele definiu o modelo como uma “SAF associativista”, com cotas pequenas e distribuídas, refletindo o perfil de associativismo local. “A nossa SAF tem uma carinha de Maringá… a maioria dos acionistas tem 1%, 2%, 3%”, disse.

Sobre sustentabilidade, Mazzer afirmou que a meta é chegar e se consolidar na Série B com uma estrutura “360”, considerando base, receitas, estádio, produtos e sócio-torcedor — e não apenas performance esportiva.

“Quando eu falo de estar na Série B, não é estar somente esportivamente… é estar em todos os indicadores, no padrão Série B+”, afirmou.

Ele também destacou a importância da base e da venda de atletas como parte do modelo, defendendo uma visão de longo prazo. “A gente tem que tirar o chapéu de torcedor e colocar o chapéu de dirigente”, disse.

Mazzer também falou sobre ter sido eleito representante dos clubes da Série C no Conselho Nacional de Clubes da CBF. Para ele, a eleição simboliza o reconhecimento de um modelo de gestão mais austero e coerente. “Eu acredito que o Maringá foi eleito representante… um clube austero, que tem muita gestão”, afirmou.

Ao projetar o ano de 2026, demonstrou confiança no planejamento feito até aqui. “Estou bastante otimista para o ano de 26 do Maringá Futebol Clube”, declarou.

Serviço

A entrevista completa com João Vitor Mazzer está disponível Canal do Maringá Post no YouTube. 

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção: VMark Produtora e Estúdio

https://www.youtube.com/watch?v=lPPjRMkvZV8