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No universo do empreendedorismo, a união entre mulheres tem se tornado uma estratégia para enfrentar desafios e ampliar oportunidades. Em Maringá, a psicóloga Juciane Fregadolli, presidente da Associação de Mulheres Maringaenses Empreendedoras (AMME), acredita que o associativismo é um dos principais caminhos para fortalecer a atuação feminina no mercado.
A entidade reúne empresárias de diferentes áreas com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo feminino por meio da troca de experiências, capacitações e ações de apoio mútuo entre as associadas.
Segundo Juciane, o trabalho da entidade busca incentivar o desenvolvimento dos negócios e também o crescimento pessoal das mulheres que participam do grupo:
O maior propósito é o fortalecimento da mulher empreendedora. Dentro disso, buscamos nos unir e nos capacitar para crescer no mercado de trabalho.”
Para a presidente da associação, esse ambiente de cooperação também contribui para a melhoria do trabalho das associadas.
“Quando buscamos essa união e esse fortalecimento entre mulheres, percebemos como o negócio flui melhor. A mulher se sente apoiada, sente que tem mais força e consegue conduzir o próprio negócio com maestria, discernimento e criatividade”, explica a presidente.
A associação promove encontros regulares entre as integrantes para discutir estratégias, compartilhar experiências e planejar ações ao longo do ano. O grupo, com cerca de 20 mulheres, reúne-se pelo menos duas vezes por mês, em encontros voltados tanto para a organização das atividades da entidade quanto para capacitações, treinamentos e visitas técnicas.

Além das reuniões internas, as associadas participam de eventos e momentos de integração que incentivam a troca de experiências e a colaboração entre mulheres que lideram os próprios empreendimentos.
A associação também promove ações abertas ao público. Uma delas é o evento “Mulheres em Ação”, realizado anualmente no mês de agosto. A iniciativa reúne convidadas para falar sobre temas relacionados ao desenvolvimento de negócios e ao empreendedorismo, além de promover uma Rodada de Negócios aberta ao público, voltada à troca de experiências e à geração de oportunidades entre empreendedoras.
Barreiras a serem superadas
Apesar dos avanços no empreendedorismo feminino, muitas mulheres ainda enfrentam desafios para consolidar os projetos delas no mercado. Segundo Juciane, além das dificuldades comuns de qualquer empreendimento, as mulheres lidam com obstáculos adicionais, muitas vezes ligados à falta de apoio e a julgamentos sobre a capacidade profissional delas.
Outro fator que pesa neste cenário é a chamada dupla jornada. Mesmo à frente de empresas ou atividades empreendedoras, muitas mulheres ainda são socialmente cobradas a assumir a maior parte das responsabilidades relacionadas à casa e à família, o que pode impactar o tempo e energia para suas atividades.
Além disso, Juciane explica que o maior obstáculo pode ser um fator interno: o medo de errar.
“A mulher empreendedora tem muito medo de errar e falhar, porque ela é sempre questionada. Ela não é tão valorizada no potencial dela. Então, ela precisa mostrar que sabe onde está indo, onde está investindo. O impacto de uma falha acaba sendo maior”.
Independência financeira
No Dia Internacional da Mulher, o debate sobre violência contra a mulher costuma ganhar destaque. No entanto, além de discutir formas de proteção e punição, é necessário pensar em caminhos de prevenção. Nesse contexto, a independência financeira é uma das principais formas de ampliar a autonomia das mulheres e reduzir situações de vulnerabilidade.
Juciane reforça que: “o empreendedorismo é um caminho onde a mulher busca essa independência financeira, nisso ela se desenvolve em poder acreditar em si, em saber que ela pode seguir sozinha”.
Para que esse processo aconteça, no entanto, o apoio entre mulheres também é essencial.
“É importante que uma mulher acredite na outra. Muitas vezes o julgamento vem até de outras mulheres, mas precisamos nos unir, fortalecer e incentivar umas às outras, em vez de competir. Precisamos vibrar quando a outra cresce e prospera. Essa cooperação entre mulheres é fundamental”, afirma.


















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