Um exame laboratorial realizado na criança recém-nascida vítima de agressões e maus-tratos em Sarandi confirmou a presença de substâncias como cocaína e benzodiazepínicos (substância presente em medicações que tratam condições como ansiedade, insônia, convulsões e abstinência alcoólica) no corpo da bebê. O resultado do exame foi divulgado no dia 17 de março.
O laudo toxicológico, que foi realizado a pedido da equipe médica que acompanha a criança, deverá ser encaminhado às autoridades que investigam o caso, como o Conselho Tutelar de Sarandi e a Polícia Civil.
A Conselheira Tutelar Jurlene Mendes informou ao Maringá Post que a bebê continua sendo acompanhada pela Santa Casa, recebeu alta da UTI e foi para ala semiextensiva, onde já iniciou atendimento com uma fonoaudióloga para estimulação da língua, para uma possível sucção [para alimentação via oral].
O CASO
A criança está internada no Hospital Santa Casa de Maringá desde o dia 10 de março. Ela havia sido levada ao hospital por uma equipe médica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A equipe médica da Santa Casa que realizava o atendimento da recém-nascida notou marcas de agressões e imediatamente acionou a Polícia Militar. Os pais da bebê foram detidos e encaminhados à 9ª SDP de Maringá para prestar depoimento.
POLÍCIA SOLICITA MEDIDA PROTETIVA À CRIANÇA
Ao Maringá Post, a delegada Karoliny Neves, que investiga o caso, afirmou que diante da situação de risco, a Polícia Civil solicitou medida de proteção à criança.
Karoliny também informou que a criança passará por exames para que a investigação possa constatar a possível causa das lesões apresentadas pela recém-nascida.
A Conselheira Tutelar Jurlene Mendes, que acompanha o caso, informou que o Conselho Tutelar de Sarandi solicitou à justiça o acolhimento institucional, para garantir a proteção total da recém-nascida, tendo em vista a informação da soltura dos genitores.
PAIS FORAM PRESOS
A Polícia Civil de Sarandi, por meio do setor de Violência Doméstica, prendeu preventivamente na quinta-feira (12) o pai da bebê. A investigação apura possíveis maus-tratos após a recém-nascida ser hospitalizada em estado grave.
Após a emissão da ordem judicial, os agentes localizaram o pai da menina. Em depoimento, ele apresentou uma versão alarmante: afirmou que a mãe teria amamentado a filha logo após consumir cocaína. A declaração agora faz parte da linha de investigação, que tenta confirmar a origem das complicações de saúde da bebê.
A delegada Karoliny Neves Marques ressaltou que o inquérito é tratado com cautela para garantir a proteção da vítima e esclarecer as responsabilidades. “As apurações continuam e todas as circunstâncias estão sendo analisadas”, afirmou.
A mãe da bebê foi presa após prestar depoimento à Polícia Civil ainda no dia 10.
LAUDO DO IML DESCARTA ABUSO SEXUAL
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) trouxe esclarecimentos fundamentais sobre o estado da recém-nascida de 14 dias vítima de maus-tratos.
De acordo com informações da Polícia Civil, o exame pericial constatou que não houve conjunção carnal, descartando, neste momento, a suspeita inicial de abuso sexual.
Por outro lado, o laudo confirmou que a bebê apresenta lesões corporais em diversas regiões do corpo. A investigação agora busca determinar a “idade” dessas lesões — ou seja, se são recentes ou se indicam um histórico de agressões contínuas.
A delegada responsável pelo caso, Karoliny Neves Marques, informou que solicitará esclarecimentos adicionais ao médico legista sobre esse ponto específico.
















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