O Brasil voltou a registrar aumento de casos de mpox neste início de ano e já contabiliza 140 confirmações em 2026, além de nove suspeitas, segundo dados das autoridades de saúde. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros, com 93 casos, e há notificações em outros doze estados (Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins, além do Distrito Federal), o que reacende o alerta da vigilância epidemiológica no país.
A mpox é uma infecção viral que pode provocar febre, mal-estar, ínguas e lesões cutâneas que evoluem para crostas. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões na pele de uma pessoa infectada, pelo contato físico próximo e pelo compartilhamento de objetos contaminados. Embora a maioria dos casos recentes tenha apresentado evolução leve a moderada e não haja registro de óbitos neste ano, o crescimento das confirmações exige atenção para evitar novas cadeias de transmissão.
Tempo é fator decisivo
Em casos de infecção com potencial de disseminação, o intervalo entre a suspeita clínica e a confirmação laboratorial pode impactar diretamente o controle da transmissão. Todo paciente que se enquadre como caso suspeito deve ser encaminhado para testagem, seguindo os protocolos das autoridades sanitárias.
“A detecção precoce é o que define a velocidade da resposta. É nesse contexto que a ciência desempenha um papel fundamental ao desenvolver tecnologias que permitem identificar e monitorar o vírus de maneira precisa e confiável, permitindo que os órgãos responsáveis pela vigilância consigam agir de forma direcionada e reduzir o risco de novos casos”, afirma Fábio Mury, gerente de Desenvolvimento de Negócios Clínicos e Soluções de Testes Genéticos da Thermo Fisher Scientific.
Detecção no centro da estratégia
A confirmação da mpox é realizada por métodos moleculares, como a PCR em tempo real — tecnologia capaz de identificar o material genético do vírus com alta sensibilidade e especificidade. Além de confirmar casos individuais, a testagem laboratorial tem impacto coletivo, alimentando os sistemas de vigilância e permitindo acompanhar a evolução da doença.
“As análises laboratoriais geram dados epidemiológicos que orientam ações estratégicas, desde o isolamento de casos até a organização da rede de saúde. Quando existe capacidade instalada e fluxo laboratorial estruturado, a resposta tende a ser mais ágil e coordenada”, explica Mury.
Com o avanço dos casos em 2026, a realização de testes moleculares volta ao centro da estratégia de contenção — não apenas para confirmar infecções, mas também para fortalecer a vigilância e evitar que o número de casos aumente de maneira alarmante.
















Adicionar Comentário