Destaques do Dia Maringa Policia

Número de presos políticos soltos na Venezuela após anistia sobe para 91, diz ONG

Número de presos políticos soltos na Venezuela após anistia sobe para 91, diz ONG

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Justiça da Venezuela libertou 91 presos políticos desde a aprovação da anistia na última quinta-feira (19), segundo o balanço mais recente divulgado nesta terça-feira (24) pela organização venezuelana de direitos humanos Foro Penal.
Até segunda (23), o número de libertados era 65. Apesar do aumento nas últimas 24 horas, a cifra ainda está distante dos mais de 1.500 pedidos apresentados à Justiça venezuelana.

De acordo com o diretor-presidente da organização, Alfredo Romero, com a nova leva de solturas, 545 presos já deixaram unidades prisionais em todo o país desde 8 de janeiro, quando Nicolás Maduro foi capturado durante uma operação militar americana em Caracas.

Já o regime liderado por Delcy Rodríguez afirma que quase 2.200 pessoas foram libertadas de prisões venezuelanas ou tiveram outras restrições legais retiradas. O chavismo nunca reconheceu oficialmente a existência de presos políticos nem forneceu lista de nomes.

Antes desta nova leva de pessoas soltas libertados pela lei da anistia, havia quase 650 pessoas presas, segundo a Foro Penal. Especialistas questionam o alcance da legislação aprovada, já que centenas de detidos, como militares envolvidos em atividades tidas como “terroristas” podem ficar de fora.

A anistia não é automática: os afetados devem comparecer ao tribunal responsável pelo seu caso e solicitar a aplicação do benefício, que abrange eventos específicos ocorridos durante os 27 anos do chavismo.

Potenciais beneficiários da nova lei afirmam que tribunais têm atrasado ou recusado o recebimento de pedidos para garantir liberdade plena.

Advogados de presos políticos que foram aos tribunais em Caracas nesta segunda (23) para apresentar os primeiros pedidos relataram à agência de notícias AFP que receberam negativas e tiveram atrasos ao protocolar documentos.

“Os tribunais que nos submeteram arbitrariamente a processo continuam sendo nossos algozes, não se pode permitir que violem a lei de anistia”, afirmou Rodrigo Cabezas, ex-ministro das Finanças de Hugo Chávez, em liberdade condicional desde julho de 2025.
Segundo ele, o tribunal responsável por seu caso argumentou inexistência de expediente ao rejeitar o pedido.

A lei estabelece prazo máximo de 15 dias para que os juízes verifiquem se o caso se enquadra nos critérios da anistia.

O advogado Omar Mora Tosta, que representa integrantes do partido da líder opositora María Corina Machado, disse que as respostas variam conforme o tribunal. O sindicato dos trabalhadores da imprensa declarou que nenhum tribunal aceitou os requerimentos apresentados por um grupo de jornalistas.

Em outros casos, houve avanço. A comerciante Liomary Espina, 57, disse ter conseguido protocolar o pedido e aguarda resposta nos próximos dias.

A Assembleia Nacional criou uma comissão especial para acompanhar a implementação da lei.

Leia Também: Lula diz que vale “qualquer sacrifício” para prender magnatas do crime

Adicionar Comentário

Clique aqui para postar um comentário