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Recém-casada, mulher de sargento é detida pelo ICE nos EUA

Recém-casada, mulher de sargento é detida pelo ICE nos EUA

A hondurenha Annie Ramos, de 22 anos, foi detida por autoridades de imigração dos Estados Unidos dentro de uma base militar poucos dias após se casar com o sargento do Exército Matthew Blank. A jovem vive no país desde bebê, mas nunca conseguiu regularizar sua situação migratória.

O casal oficializou a união no fim de março e, logo depois, seguiu para a base de Fort Johnson, no estado da Louisiana, onde pretendia iniciar a vida juntos. No dia 2 de abril, acompanhados por familiares, eles chegaram ao local para registrar Annie como esposa de militar, o que garantiria acesso a benefícios e daria início ao processo de obtenção do green card.

Durante o atendimento, Blank apresentou sua certidão de nascimento, enquanto Annie mostrou o passaporte hondurenho. Ao ser questionada sobre visto ou residência permanente, ela confirmou que não possuía nenhum dos documentos.

A situação levou a uma série de comunicações internas na base, que acionaram agentes do serviço de imigração. Pouco depois, o casal foi informado de que Annie seria detida.

“Eu nunca imaginei que fazer o correto – registar a minha mulher para que ela pudesse receber a identificação militar, aceder aos benefícios a que tem direito por ser minha esposa, e dar início ao processo para o seu cartão de residente permanente – iria levar a que ela fosse levada de mim”, afirmou o sargento, em comunicado citado pela ABC News. “Em vez de nos prepararmos para o nosso futuro juntos, estou agora a lutar pela liberdade dela”, acrescentou.

Annie chegou aos Estados Unidos com apenas 20 meses de idade, de forma irregular, segundo a advogada Jessie Schreier, mas nunca conseguiu regularizar sua situação.

“Annie Ramos encontra-se atualmente detida para cumprimento de uma ordem de expulsão emitida em 2005, quando tinha apenas 20 meses de idade. A qualquer momento, essa ordem pode ser executada, resultando na sua deportação para um país que ela nunca conheceu. A deportação de Annie separá-la-ia tragicamente do seu marido, o sargento-ajudante do Exército dos Estados Unidos Matthew Blank, que se prepara para a possibilidade de uma terceira missão no estrangeiro”, afirmou a advogada.

A jovem é elegível para o programa Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), mas a iniciativa está suspensa para novos pedidos há mais de um ano, em razão de disputas judiciais. Annie também é bolsista da organização TheDream.US, que apoia estudantes sem documentos.

“Deter uma estudante de bioquímica de 22 anos que vive aqui há duas décadas e é casada com um sargento do exército dos Estados Unidos, que se prepara para uma missão, não nos torna mais seguros [enquanto país] – enfraquece uma família militar, compromete os nossos valores fundamentais e revela o quanto caímos como nação”, afirmou Gaby Pacheco, presidente e CEO da organização. “Annie Ramos deve ser libertada e devolvida à sua família. E o nosso país e o nosso presidente devem usar este momento para acordarem”, acrescentou.

Mesmo diante da repercussão, autoridades do Departamento de Segurança Interna dos EUA indicaram que a deportação pode ocorrer. Um porta-voz afirmou que Annie foi detida “depois de ter tentado entrar numa base militar”.

“Ela não tem estatuto legal para estar neste país e foi-lhe emitida uma ordem final de expulsão por um juiz. Esta administração não vai ignorar o Estado de direito. Ela atravessou ilegalmente a fronteira sul e entrou nos Estados Unidos em fevereiro de 2005. Depois de não ter comparecido à sua audiência de imigração, foi-lhe emitida uma ordem final de expulsão por um juiz a 7 de abril de 2005”, declarou.

Na época da decisão judicial, Annie ainda não tinha completado dois anos de idade.

Apesar do cenário, o sargento afirma que continuará lutando pela esposa. “Tenho orgulho em servir este país. Tenho orgulho em ser marido dele. Vou permanecer ao lado dela, independentemente do que seja preciso”, disse.

A mãe de Blank, Jen Rickling, também saiu em defesa da nora, que descreveu como “ternurenta, inteligente e dedicada”, destacando que ela “ensina catequese” e ama o filho “com todo o coração”.

“Eu acredito neste país. E acredito que podemos fazer melhor do que isto – pela Annie, por outras famílias militares, e pelos nossos valores. O meu filho e a minha nora deviam poder construir as suas vidas juntos aqui, na nação que o meu filho se comprometeu a servir”, afirmou.

Atualmente, Annie Ramos está detida em uma unidade do serviço de imigração em Basile, na Louisiana, segundo registros oficiais do governo dos Estados Unidos.

A prisão ocorreu após a filha mais velha, de 10 anos, entrar em trabalho de parto, levando à descoberta de abusos contínuos. Exames confirmaram estupro de vulnerável contra as duas irmãs. A mãe perdeu a guarda e foi detida, enquanto o padrasto foi preso no centro da cidade

Notícias ao Minuto | 06:25 – 09/04/2026