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Refugiado cego morre após ser abandonado por agentes de imigração dos EUA

Refugiado cego morre após ser abandonado por agentes de imigração dos EUA

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Um refugiado com deficiência visual foi achado morto em Buffalo, no estado de Nova York, dias depois de ser abandonado por agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos.

Nurul Amin Shah Alam, 56, era natural de Mianmar e estava refugiado nos EUA. Ele estava desaparecido desde o dia 19 de fevereiro, quando foi abandonado sozinho e sem bengala em uma cafeteria após ser liberado da prisão no condado de Erie. As informações são da CNN.

Corpo de Nurul foi encontrado na terça-feira em um local distante 6 km da cafeteria onde ele foi deixado pelos agentes de imigração. A polícia de Nova York instaurou procedimento para apurar o caso e determinar as circunstâncias da morte do refugiado logo após sua liberação da custódia.

Perícia apontou que a causa provável da morte está relacionada a problemas prévios de saúde de Nurul. A hipótese de que o homem tenha sido assassinado foi descartada, disse o porta-voz da cidade de Buffalo, Nick Beiling.

Nurul era praticamente cego e mal falava inglês. Ele foi detido pelas autoridades americanas no ano passado acusado de agressão, invasão de propriedade privada e porte de arma.

Na ocasião, ele se perdeu durante uma caminhada e acabou na varanda da casa de uma mulher, que acionou a polícia. Na chegada dos agentes, o homem teria resistido e pegado uma haste de cortina, que ele usava como bengala, para se defender, segundo o advogado dele relatou à imprensa local.

Refugiado ficou alguns meses preso, mas fez um acordo judicial e deveria ter sido colocado em liberdade. Entretanto, enquanto Nurul aguardava a liberação da cadeia, agentes penitenciários notificaram a Patrulha de Fronteia dos EUA, que havia emitido contra ele uma ordem de detenção migratória.

Agentes da patrulha pegaram Nurul e o deixaram na cafeteria. A família e o advogado do homem não foram notificados de sua liberação para buscá-lo e levá-lo para casa em segurança, dada sua deficiência visual. Ele era casado e pai de dois filhos.

Prefeito de Buffalo criticou a conduta dos agentes de imigração e afirmou que a morte de Nurul era “evitável”. “Um homem vulnerável -quase cego e incapaz de falar inglês- foi deixado sozinho em uma noite fria de inverno, sem qualquer tentativa conhecida de deixá-lo em um local seguro. Essa decisão da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA foi antiprofissional e desumana”, declarou o prefeito de Buffalo, Sean Ryan.

Defensoria Pública de Buffalo também lamentou a morte do refugiado. Até o momento, a Patrulha de Fronteira dos EUA não se manifestou sobre o assunto.

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