A última década foi a mais quente já registrada, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O documento alerta que o clima do planeta está mais desequilibrado do que nunca.
Intitulado Estado do Clima Global 2025, o relatório foi publicado por ocasião do Dia Meteorológico Mundial e destaca que indicadores como emissão de gases de efeito estufa, temperaturas da superfície terrestre e dos oceanos, derretimento de gelo e balanço energético mostram mudanças rápidas e de grande escala, com impactos que podem durar séculos.
De acordo com os dados, o período entre 2015 e 2025 concentrou as maiores temperaturas médias já registradas. Mesmo sob influência do fenômeno La Niña, que tende a resfriar o planeta, o ano passado ficou entre os mais quentes, com temperatura 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900).
Pela primeira vez, o relatório inclui o balanço energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. Esse indicador mede a diferença entre a energia que entra no planeta, principalmente por meio da radiação solar, e a que sai. Segundo especialistas, o aumento dos gases de efeito estufa, que retêm calor, tem provocado um desequilíbrio crescente nesse sistema, atingindo níveis recordes em 2025.
A maior parte do calor extra, mais de 91%, está sendo absorvida pelos oceanos. Isso tem elevado continuamente o conteúdo de calor até profundidades de até 2 mil metros, alcançando novos recordes nos últimos anos. As consequências incluem degradação de ecossistemas marinhos, perda de biodiversidade, redução da capacidade de absorção de carbono e intensificação de tempestades.
Os oceanos também absorveram cerca de 29% do dióxido de carbono emitido por atividades humanas entre 2015 e 2024, contribuindo para a acidificação da água, cujo pH vem diminuindo há mais de quatro décadas.
Cerca de 3% do excesso de energia está associado ao derretimento de gelo. Em 2025, foram registradas perdas significativas de geleiras na Islândia e na costa do Pacífico da América do Norte, além de níveis mínimos históricos de gelo marinho no Ártico.
Com o aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo, o nível médio do mar já subiu cerca de 11 centímetros desde o início das medições por satélite, em 1993. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), essa tendência deve continuar por séculos, com impactos irreversíveis, inclusive na química das águas profundas.
O relatório também destaca os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana, como aumento da mortalidade, prejuízos aos meios de subsistência e maior risco de doenças transmitidas por vetores e pela água, além de problemas de saúde mental.
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a dependência de combustíveis fósseis está agravando tanto a crise climática quanto a segurança global. Ele alertou que o “caos climático está se acelerando” e que o planeta está sendo levado além dos seus limites.
















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