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PF acha diálogos de Vorcaro com senador Ciro Nogueira e apura mensagem com ordem de pagamento

PF acha diálogos de Vorcaro com senador Ciro Nogueira e apura mensagem com ordem de pagamento

A Polícia Federal (PF) encontrou no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome “Ciro”, citado sem o sobrenome.

Procurado, Ciro Nogueira disse conhecer Vorcaro, mas afirmou não ter proximidade com o empresário e negou ter recebido pagamentos. “Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, disse o senador (Leia a íntegra do posicionamento abaixo). A defesa de Vorcaro não se manifestou.

Diante dessas informações, os investigadores começaram a verificar se há indícios de crimes envolvendo o banqueiro e o parlamentar, que é presidente nacional do PP.

As informações já foram enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável por decretar a prisão preventiva de Vorcaro, cumprida pela PF nesta quarta-feira, 4. Esse é um dos motivos citados, nos bastidores, para justificar que o inquérito permaneça sob competência do STF.

Não há ainda, porém, uma investigação formal instaurada contra o senador Ciro Nogueira no caso Master. Uma das pessoas mais próximas a Vorcaro em Brasília é o senador. De acordo com pessoas próximas ao parlamentar, Ciro foi ouvido antes de o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dar aval à oferta de compra do Master pelo BRB.

O grupo liderado por Ciro Nogueira, que inclui o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ofereceu uma aliança para pavimentar a campanha do atual governador do DF ao Senado neste ano.

As conversas do senador com Vorcaro, de acordo com os investigadores, tratam de assuntos da política, amenidades e servem para marcar encontros pessoais.

A Polícia Federal também encontrou mensagens no celular de Vorcaro nas quais ele se refere ao senador como um “grande amigo de vida” e comemora uma iniciativa legislativa de Ciro que beneficiava o Master.

A data da mensagem de comemoração ao que chamou de “bomba atômica no mercado financeiro”, 13 de agosto de 2024, coincide com a da emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada por Ciro Nogueira, para aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.

A proposta foi identificada por políticos e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras “digitais” de favorecimento ao Master no Congresso.

A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Banco Master para alavancar os investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), como mostrou o Estadão em agosto do ano passado.

Além disso, a PF encontrou menções de pagamento a uma pessoa de nome “Ciro” nas conversas de Vorcaro com seu cunhado, Fabiano Zettel, considerado seu operador financeiro.

Em maio de 2024, Zettel enviou a Vorcaro uma lista pedindo autorização a diversos pagamentos a serem feitos. “Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu. O banqueiro, então, autoriza os repasses.

A investigação ainda não obteve os dados bancários para verificar que pagamento foi esse e se de fato o destinatário era o senador ou algum outro amigo de Vorcaro com o mesmo nome.

A PF também encontrou uma menção ao nome Ciro em diálogo de Vorcaro com o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). Na conversa, Pinato pede a Vorcaro para que seja realizada uma reunião entre eles três. Procurado, o deputado não respondeu aos contatos.

Senador é o terceiro político citado

Desde a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, os nomes de dois políticos já haviam sido citados nas apurações. Ciro Nogueira, portanto, é o terceiro a ser mencionado.

O primeiro, como revelou o Estadão, surgiu foi por causa da apreensão do documento de uma transação imobiliária de Daniel Vorcaro com o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Essa transação, entretanto, não foi adiante, mas o documento serviu de justificativa para a defesa do banqueiro pedir o envio da investigação ao Supremo Tribunal Federal. Os investigadores, porém, não encontraram nenhum indício de irregularidade no documento.

Posteriormente, em seu depoimento à PF e ao STF, Vorcaro afirmou ter mantido conversas e ao menos uma reunião em sua casa com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A informação foi revelada pelo Estadão. A PF suspeita que o BRB teve prejuízo bilionário por causa da aquisição de falsas carteiras de crédito consignado. Na ocasião, Ibaneis negou ter conversado sobre o negócio com Vorcaro e disse que o responsável pelo assunto era o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Posicionamento do senador Ciro Nogueira

“Associar meu nome ao recebimento de qualquer tipo de pagamento por ter o primeiro nome citado em diálogos, sem oferecer outra informação, tais como sobrenome ou cargo, é um ato irresponsável, inconsequente e até leviano. Segundo o IBGE, existem mais de 11 mil pessoas com o nome Ciro no Brasil, incluindo um ‘Ciro’ entre os advogados que atuam na defesa de Vorcaro, segundo informações de minha assessoria.

Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia. Informo que, embora conheça Daniel Vorcaro, assim como conheço centenas de empresários, ele jamais pertenceu ao meu círculo de amizades próximas. Estou absolutamente tranquilo quanto aos resultados das investigações da Polícia Federal, uma vez que, reafirmo, não tenho envolvimento algum com as denúncias relacionadas ao empresário”.

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