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4 em cada 10 alunos de graduação EAD desistem de estudar; número é o maior desde 2014

4 em cada 10 alunos de graduação EAD desistem de estudar; número é o maior desde 2014

(FOLHAPRESS) – A taxa de evasão nos cursos da rede privada a distância atingiu em 2024 o maior patamar da série histórica. Naquele ano, 41,9% dos alunos abandonaram os estudos. É o maior percentual desde 2014.

Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (19) e são do Mapa do Ensino Superior no Brasil, estudo elaborado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior) com dados do Censo do Ensino Superior do MEC (Ministério da Educação).

A alta na evasão acontece no mesmo ano em que o Brasil registrou pela primeira vez na história mais alunos em cursos de graduação a distância do que na modalidade presencial. Dos 10,22 milhões de estudantes do ensino superior no país, 5,18 milhões estavam matriculados no EAD em 2024 -50,75% do total.

Mais de 95% dos alunos matriculados em cursos a distância estudam em faculdades particulares.

Segundo Mapa do Ensino Superior, em 2024, os cursos a distância têm quase o dobro da taxa de abandono do que as graduações presenciais. No total (contabilizando as redes pública e privada), a evasão no EAD foi de 41,6%. Já os presenciais, registraram 24,8% de desistências.

A rede privada é a principal responsável por esse aumento, registrando uma evasão de 41,9% em 2024. Enquanto a rede pública, tem evasão de 32,2% na modalidade a distância.

O aumento na evasão dos cursos a distância também ocorre em um momento em que as graduações presenciais conseguiram reduzir a taxa de abandono. Em 2020, durante a pandemia, a evasão chegou a 28,5%, mas regrediu paulatinamente até chegar aos 24,8%.

Nos cursos presenciais, a evasão também é maior na rede privada, que registrou 26,6% de abandono, em 2024. Enquanto na rede pública, a taxa foi de 21,4%.

Preocupado com a qualidade do ensino nos cursos a distância, o governo Lula (PT) alterou no ano passado as regras para essa modalidade.

Com o decreto, os cursos de formação de professores da educação básica, ou seja as licenciaturas, não podem mais ser ofertados na modalidade a distância. Eles agora deverão seguir, no mínimo, o formato semipresencial -que prevê que metade da carga horária possa ser ministrada a distância e a outra metade seja dividida em atividades presenciais (30%) e de forma online em tempo real (20%)

– Veja a nota das universidades avaliadas pelo RUF (Ranking Universitário Folha)

A maior parte das matrículas no EAD são em cursos de licenciatura.

O Mapa do Ensino Superior também calculou o índice de trajetória dos estudantes, que analisa o fluxo de matrículas durante o período de 2020 e 2024. O índice identificou uma alta taxa de desistência ao longo do curso.

Dos alunos que entraram em cursos a distância na rede privada em 2020, apenas 23,6% conseguiram se formar até 2024 e 68,1% abandonaram os estudos. Nos cursos presenciais da rede privada, 27,8% se formaram e 59,7% evadiram ao longo de quatro anos.

Na rede pública, as taxas são menores do que na rede privada, mas ainda muito altas. Quase metade (48%) dos alunos que ingressam em cursos EAD abandonam os estudos ao longo de quatro anos. Nos cursos presenciais, 45,9% também evadiram.

Lei aprovada pelo Congresso no fim do ano passado entrou em vigor na terça-feira (17); cerimônia no Planalto estava marcada para a véspera e foi adiada a pedido do presidente Lula

Folhapress | 09:00 – 19/03/2026