Destaques do Dia Maringa Policia

Câmara de Maringá defende autonomia legislativa após MP abrir inquérito para investigar projeto que aumentou número de CCs

Empresa de São Paulo vence licitação para fornecimento de "Vale-Cultura" para servidores da Câmara de Maringá

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

A Câmara Municipal de Maringá manifestou-se oficialmente nesta quinta-feira (16) sobre a Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que contesta a legalidade da Lei nº 17.582/2025. A lei em questão foi responsável pela criação de 25 novos cargos comissionados na estrutura do Legislativo em julho do ano passado.

Em nota, a Câmara reafirmou sua autonomia legislativa e informou que o setor jurídico da instituição é o órgão técnico responsável pela análise detalhada da ação. A Câmara destacou que a apreciação da documentação seguirá rigorosamente os trâmites legais e os princípios de transparência.

Um dos pontos centrais da defesa da Câmara é a existência de uma decisão judicial anterior sobre o mesmo tema. Segundo a nota emitida, uma sentença passada já reconheceu que o processo legislativo é de competência exclusiva do parlamento municipal.

Essa decisão, inclusive, foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) em reexame necessário. Com base nesse histórico, a Câmara sinaliza que a intervenção do Judiciário em ritos internos da Casa pode ferir a separação dos poderes. “A Câmara reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às decisões judiciais vigentes”, diz o comunicado.

Confira a nota na íntegra:

“O Setor Jurídico da Câmara Municipal de Maringá é o órgão técnico responsável pela análise da ação em questão, cabendo à instituição a devida apreciação da documentação apresentada.
A Câmara Municipal informa que realizará a análise dos documentos pertinentes, dentro dos trâmites legais.

Ressalta-se que já houve decisão judicial anterior sobre o mesmo tema. Nessa sentença, foi reconhecido que o processo legislativo é de competência exclusiva da Câmara Municipal, sendo a sentença mantida pelo Tribunal de Justiça, em reexame necessário, a qual segue anexa para conhecimento.

A Câmara reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às decisões judiciais vigentes.”

Entenda

O caso começou após a aprovação de um projeto que ampliou o número de assessores na Câmara de Maringá.

A lei criou 23 cargos de assessor parlamentar (um para cada vereador) e dois cargos para a presidência, com salários que variam entre R$ 9.748,85 e R$ 14.000,00.

O Ministério Público aponta que a medida elevou o número de comissionados para 137, enquanto a Casa possui apenas 76 servidores de carreira (concursados). Isso significa que 64% da estrutura administrativa passou a ser composta por cargos de livre nomeação, o que o MP considera inconstitucional.

A Promotoria alega que o projeto não teve a assinatura de todos os membros da Mesa Diretora (três vereadores se recusaram a assinar), o que invalidaria a tramitação por falta de colegiado.

Depoimentos colhidos no inquérito sugerem que nem sequer há espaço físico nos gabinetes, recentemente reformados, para acomodar os novos assessores.

Além de anular a lei, a Promotoria pede uma liminar para a exoneração imediata de quem já foi nomeado.

Enquanto a Justiça não decide sobre a liminar, a Câmara sustenta que o planejamento para equilibrar o quadro de pessoal já está em curso, com a previsão de um novo concurso público para julho de 2026.