Os brasileiros com 40 anos ou mais estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho formal. Em 2026 eles representam em torno de 48% dos empregos com carteira assinada no país, aproximando-se da metade das vagas existentes.
Os números mostram uma mudança na composição etária do emprego formal brasileiro. Embora os trabalhadores com menos de 40 anos ainda sejam maioria, a diferença entre os dois grupos está diminuindo.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (2), com base na Relação Anual de Informações Sociais (Reais), registro administrativo que reúne informações sobre os vínculos formais de trabalho no Brasil.
Envelhecimento muda o mercado de trabalho
A transformação acompanha uma mudança demográfica. Entre 2022 e 2025, a população brasileira com 40 anos ou mais cresceu 7%, chegando a 92,2 milhões de pessoas. No mesmo período, o contingente de brasileiros com até 39 anos diminuiu 2,5%, totalizando aproximadamente 158 milhões.
Com isso, a participação dos trabalhadores mais jovens nos empregos formais caiu de 55,6%, em 2022, para 52,2%, em 2025, continuando essa queda em 2026.
O movimento indica que o mercado de trabalho está incorporando uma população mais envelhecida, enquanto a quantidade de pessoas nas faixas etárias mais jovens diminui proporcionalmente.
Experiência ganha importância
O aumento da participação dos profissionais com mais de 40 anos também coloca em discussão o aproveitamento da experiência no ambiente de trabalho.
Esses trabalhadores podem reunir conhecimento técnico, experiência prática e familiaridade com processos e rotinas profissionais. Para as empresas, a permanência desses profissionais pode contribuir para a continuidade das atividades e a transmissão de conhecimento às equipes mais jovens.
Entretanto, a idade também pode representar um obstáculo na busca por uma nova colocação. Profissionais experientes podem enfrentar dificuldades quando disputam vagas em empresas que priorizam a contratação de pessoas mais jovens ou procuram reduzir custos com pessoal.
A permanência no emprego e a recolocação profissional são questões diferentes. O crescimento da participação dos trabalhadores com mais de 40 anos no total de vínculos formais não significa, necessariamente, que eles tenham mais facilidade para conseguir uma nova vaga.
Contratações e demissões cresceram
Os dados de movimentação do mercado de trabalho também revelam um cenário que exige atenção.
Entre janeiro e agosto de 2026, as admissões de trabalhadores com 40 anos ou mais aumentaram 32% em comparação com o mesmo período de 2022. As demissões, porém, cresceram ainda mais: 40%.
Os números mostram que a presença desse grupo no mercado não elimina as dificuldades de permanência e recolocação. Embora os profissionais mais velhos continuem sendo contratados, também estão sujeitos a desligamentos.
A situação é especialmente relevante para quem perde o emprego depois de muitos anos de carreira e precisa disputar oportunidades em um mercado que passa por transformações tecnológicas e mudanças nas formas de contratação.
Desafio para empresas e trabalhadores
A tendência de envelhecimento da força de trabalho deverá influenciar as políticas de contratação, qualificação e gestão de pessoas nos próximos anos.
Para as empresas, um dos desafios será aproveitar a experiência dos profissionais mais velhos sem deixar de investir na formação das novas gerações.
Para os trabalhadores, a atualização profissional e o desenvolvimento de novas competências podem contribuir para ampliar as oportunidades de permanência e recolocação.
O cenário também exige atenção à discriminação por idade, conhecida como etarismo, que pode limitar oportunidades profissionais com base na faixa etária, independentemente das qualificações do candidato.
Os números de 2025 mostram que os brasileiros com 40 anos ou mais já respondem por quase metade dos empregos formais do país. Ainda não ultrapassaram a marca de 50%, mas a evolução dos últimos anos evidencia uma mudança importante na composição do mercado de trabalho brasileiro.
















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