SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em forte queda nesta terça-feira (14), após a divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), indicador de inflação dos Estados Unidos, abaixo do esperado. O resultado reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terá menos pressão para elevar os juros no curto prazo. Às 13h42, a moeda norte-americana caía 1,12%, cotada a R$ 5,072. Já a Bolsa subia 0,3%, aos 176.269 pontos.
Investidores também seguem monitorando os efeitos do novo bloqueio no estreito de Hormuz, via marítima por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Com a retomada do conflito entre os EUA e Irã, o petróleo voltou a subir mais de 5% e já acumula alta de US$ 10 nesta semana.
O CPI dos EUA recuou 0,4% em junho, acima da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,1%. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o índice desacelerou tanto na comparação mensal quanto na anual, aproximando-se de 3%, enquanto o núcleo (que exclui alimentos e energia) da inflação também avançou menos do que o esperado.
Para o especialista, os dados indicam que o aperto monetário promovido pelo Fed está fazendo efeito, apesar das pressões sobre os preços de energia e do petróleo.
Araújo afirma que, para o Brasil, o resultado tende a reduzir a pressão sobre o dólar frente ao real, aliviando a inflação local e permitindo ao Copom manter a trajetória de cortes da Selic.
O resultado da inflação americana também reduziu as apostas de uma alta dos juros pelo Fed no curto prazo. Na última reunião de política monetária, o banco central manteve a taxa de referência na banda de 3,5% e 3,75%, mas a comunicação que sucedeu a decisão levantou temores sobre os próximos movimentos.
O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, eliminou as orientações sobre a direção da política monetária, embora tenha reforçado que o combate à inflação será prioridade. Além disso, metade dos diretores do próprio banco central revelou vislumbrar ao menos uma alta de juros neste ano.
Nesta terça, em depoimento na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, Warsh voltou a afirmar que está tão comprometido com o mandato de emprego quanto com o de controle da inflação. Ele também prometeu “fazer seu trabalho” caso seja desafiado pelo presidente Donald Trump -seu comentário mais direto até o momento sobre como lidaria com o tipo de pressão que seu antecessor, Jerome Powell, enfrentou durante grande parte de seu mandato.
Com o alívio na inflação, o mercado vê um eventual aperto monetário como menos urgente. Isso diminui também a perspectiva de retornos maiores dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, afirma, no entanto, que a desaceleração da inflação americana se deve principalmente à queda pontual dos preços da energia em junho, favorecida pela trégua no conflito no Oriente Médio. Esse movimento, porém, já começou a se reverter com a nova escalada da guerra e a alta do petróleo.
“O alívio de junho parece ter sido temporário, e a pressão inflacionária deve retomar nas próximas leituras. O próprio Fed já havia sinalizado essa cautela ao apontar o conflito no Oriente Médio, a forte demanda por investimentos em inteligência artificial e os efeitos das tarifas comerciais como principais fatores de pressão inflacionária”, diz.
Com isso, os investidores ainda veem um cenário de incerteza para a política monetária americana. Sem indicações exatas sobre os próximos passos do Fed para a taxa de juros, a expectativa é de maior volatilidade nos mercados e oscilações mais intensas em torno das decisões do banco central.
Nesse cenário, os custos de empréstimos nos Estados Unidos também podem subir, à medida que os investidores passam a exigir um prêmio maior para compensar a incerteza sobre a trajetória dos juros.
No petróleo, durante o começo da tarde, o contrato mais negociado do Brent avança cerca de 1,81%, sendo negociado ao redor de US$ 85 por barril. O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, diz que o movimento reflete a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Durante a renovada troca de ataques com o Irã em torno do estreito de Hormuz, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio aos navios iranianos na via marítima e que pretende cobrar um pedágio para manter o tráfego na região.
O mercado de juros futuros também reagiu ao CPI, com queda em parte da curva. A taxa do DI para janeiro de 2028 recuava para 13,96%, baixa de 0,05 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caía para 14,305%, queda de 0,08 ponto.
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