SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou perto da estabilidade nesta quarta-feira (15), cotado a R$ 5,078, após oscilar entre leves altas e baixas ao longo da sessão. Os investidores seguiram atentos aos dados de inflação dos Estados Unidos, divulgados na terça-feira (14) e abaixo do esperado, e aos possíveis impactos do indicador sobre a trajetória dos juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).
A moeda norte-americana também acompanhou o movimento global de enfraquecimento do dólar após a divulgação do PPI (Índice de Preços ao Produtor) dos EUA. A moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,087 durante o pregão e a mínima de R$ 5,057.
Já a Bolsa fechou em queda de 0,35%, aos 176.010 pontos. Segundo Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management, o Ibovespa destoou do desempenho das principais bolsas globais, que encerraram o dia em alta. Para ele, o principal fator por trás da retração foi a possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros, o que pode pressionar o desempenho de alguns setores da Bolsa.
Fora do Ibovespa, as ações da Ânima despencaram mais de 30%, após a empresa anunciar a aquisição da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) por R$ 410 milhões. A instituição de ensino, que tem cerca de 51 mil alunos e campi em São Paulo, está em recuperação judicial.
Nesta quarta, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o volume de serviços recuou 0,4% em maio na comparação com abril, após alta de 1,1% em abril.
Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o resultado pode reforçar a percepção de que o BC (Banco Central) terá espaço para voltar a cortar a taxa básica de juros nas próximas reuniões. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.
O mercado também acompanhou a divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Lula (PT) ampliando a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno.
Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,37%, o Nasdaq ganhou 0,62% e o Dow Jones subiu 0,29%. Segundo Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, as bolsas norte-americanas encontraram suporte no PPI, que veio abaixo do esperado e reforçou a percepção de que as pressões inflacionárias nos EUA seguem perdendo força.
No Brasil, o mercado de juros futuros encerrou a sessão com estabilidade nos contratos de curto prazo e elevação nos vencimentos mais longos da curva. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou em 13,850%, com variação de 0,02 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 encerrou o dia em 14,340%, com variação de 0,05 ponto percentual.
Já o rendimento da Treasury de dez anos caiu 0,03 ponto percentual, para 4,551%.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o resultado da inflação abaixo do esperado nos Estados Unidos foi influenciado pela queda temporária dos preços da energia durante a trégua no conflito no Oriente Médio.
Com isso, embora o dado tenha reforçado as expectativas de juros menores nos EUA, a retomada do conflito -e a consequente alta do petróleo Brent- levou o mercado a projetar novas pressões sobre os custos nas próximas leituras de inflação. Esse cenário tende a reforçar a cautela do Fed nas decisões futuras sobre a política monetária.
No fim da tarde, o barril do petróleo Brent era negociado a cerca de US$ 85, em alta de 1,06%.
O levantamento da Genial/Quaest mostrou que o presidente Lula ampliou para oito pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, vencendo por 45% a 37%.
Brancos, nulos e eleitores que afirmaram não votar somaram 14%, e indeciso, 4%. A vantagem do petista, que era de seis pontos na pesquisa de junho, oscilou dentro da margem de erro. Para parte do mercado, o resultado da pesquisa pode pressionar o real, já que investidores costumam reagir negativamente a cenários associados a uma política fiscal mais expansionista.
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