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10 livros de autores maringaenses que você precisa conhecer

10 livros de autores maringaenses que você precisa conhecer

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A cada ano que passa, Maringá avança no universo da literatura. Se antes estávamos restritos aos grandes autores que vinham para a Cidade Canção para suas sessões de autógrafos e participações em eventos literários, agora é o município quem passa a ‘produzir’ e importar seus autores para fora.

Um mapeamento da Academia de Letras de Maringá (AML), de 2021, mostra que existem, ao menos, 400 obras de autores maringaenses já publicadas. Algumas mais famosas, como a coletânea ‘Escravidão’, do escritor e jornalista Laurentino Gomes, já rodaram o Brasil. O universo maringaense da literatura, no entanto, é bem maior.

O Maringá Post conversou com o jornalista e pesquisador e sociólogo, Victor Simião, que indicou 10 livros maringaenses para quem deseja explorar melhor os autores da cidade. Aos 32 anos, Simião foi um dos criadores e coordenadores do clube de leitura “Os bons Casmurros”, que segue em atividade e já discutiu mais de 100 obras. Atualmente, escreve sobre livros para diversos veículos como o jornal Rascunho, um dos mais importantes periódicos do tema no Brasil.

Conforme o pesquisador, Maringá que, outrora, se destacava pelas obras e pesquisas acadêmicas, agora também têm ganhado reconhecimento com livros de ficção, como romances, contos e poesias.

“Nos últimos anos a gente viu o crescimento da produção da literatura em Maringá permitindo que uma série de livros surgisse, principalmente nos últimos 10 anos. Uma explicação possível é de que Maringá entrou no cenário da literatura nacional, então a gente também tem autores locais que são premiados, como Oscar Nakasato, que ganhou Jabuti em 2012 e que anos atrás lançou Ojichan pela Fósforo, uma editora de reconhecimento nacional. Na lista também tem dois autores que passaram por Maringá, não vivem mais aqui. Um deles é maringaense de fato, o Ademir Demarchi, que ele vive em Santos, é um baita poeta, um baita artista e lançou recentemente “A Tênue Película que nos separa deste mundo”, e o Marco Cremasco, que fez um belo livro inventivo chamado “Oco” anos atrás. E a gente tem visto também a publicação de outros gêneros para todos os gostos e livros com qualidade, é um momento muito rico da literatura”, disse.

Veja abaixo os 10 livros indicados pelo sociólogo para quem deseja conhecer autores maringaenses

*Sinopses extraídas dos sites das respectivas editoras

Oco | Marco Aurélio Cremasco

Publicado pela Editora Primata, “Oco” está longe de ser convencional, situado no limbo entre a prosa e a poesia. Em doze capítulos — ou vozes poéticas —, Cremasco revisita memórias de infância, juventude e maturidade, explorando o não pertencimento, a desilusão e a reflexão sobre o vazio. A obra se constrói como um fluxo memorialista e lírico, em que o imaginário se sobrepõe ao real para escapar ao marasmo da vida.

Ojichan |Oscar Nakasato

Terceiro romance do escritor paranaense e vencedor do Jabuti Oscar Nakasato, Ojiichan, que em japonês significa “vovô”, retrata a vida de Satoshi a partir do seu aniversário de setenta anos. A aposentadoria compulsória do colégio onde ele lecionou por décadas é o primeiro dos eventos que o obrigam a confrontar as muitas faces da velhice. Seus colegas preparam uma festa de despedida e os alunos, que carinhosamente o apelidaram de Satossauro, prestam homenagem ao professor. Preocupados em celebrar o merecido descanso após uma vida de trabalho, ninguém ao redor parece enxergar a dor de Satoshi em deixar a rotina e dar início a uma nova fase.

O cultivo das desmemórias | Flávio Augusto

Flávio Augusto constitui neste livro um eu poético que está no centro de uma dúvida existencial e, para ele, fulcral, conforme registra num poema: “nunca vou saber ao certo/ se/ fui/sou /ou algum dia serei// pelo menos de forma idealizada/ também um velho pai/ para os meus filhos”. Essa dúvida, marca da escrita poética, que recusa a certeza para não se tornar preleção, proporciona um efeito reflexivo que suscita mais consequências úteis para a experiência vital que a certeza comovida de uma oração.

A tênue película que nos separa deste mundo | Ademir Demarchi

Primeira obra de ficção do autor maringaense, o livro explora temas profundos da literatura e da condição humana, servindo também de inspiração para reflexões filosóficas sobre os sonhos e a realidade.

Fragmentos de uma ausência | Luigi Ricciardi

“Fragmentos de uma ausência” é um romance autoficcional que narra, em capítulos curtos e entrelaçados, os vestígios de um relacionamento que marcou o narrador até a ruína. Com linguagem ora lírica, ora crua, o livro alterna memória, confissão, humor sombrio e reflexões existenciais, compondo um mosaico de dor, amor, desejo e autossabotagem. Do primeiro beijo adolescente à solidão da vida adulta, passando por traumas familiares e devaneios sexuais, cada capítulo é um esboço emocional que se recusa a fechar as contas da equação amorosa.

Pátria-mãe | Mariela Lamberti

Em Pátria-Mãe, Mariela Lamberti transforma o palco em oceano e a maternidade em travessia. Entre memória, ficção, poesia e humor, a dramaturgia narra a trajetória de uma atriz que se torna mãe e descobre em si a força e a vulnerabilidade das baleias — mamíferos que escolhem cada fôlego, nunca dormem profundamente e cantam para se manterem vivos.

Um lugar mágico | Dany Fran e Kelly Shimohiro

Maria Flor, uma jornalista de vida tranquila, descobre cartas de amor clandestinas dos anos 1930 e parte em uma jornada do Brasil à Itália para desvendar uma história de paixão, sacrifício e coragem. Enquanto reconstrói o passado de Rita e Toni, amantes que desafiaram o impossível, Flor reflete sobre sua própria vida e enfrenta mistérios que questionam sua realidade.

Histórias de Ilê | Vanessa Vieira

“Histórias de Ilê – Os Mistérios da Terra” apresenta “Os Orixás – Divindades Africanas”a partir do mundo da criança. Suas buscas e desejos, a relação com a natureza por meio de seus elementos: água, fogo, terra e ar, são o caminho percorrido pelo livro, dividido em quatro contos: “Mãe Nanã – A Natureza e a Terra”; “Ossain – O Guardião do Mistério das Folhas”; “E o Menino Omolu se Torna Rei da Terra”; “Omolu se Veste de Pérolas e é Chamado Obaluaê”. Lendas e mitologias são costuradas em uma conversa séria e sincera, embora fictícia, com os itãs e os ensinamentos transmitidos nesta perspectiva de mundo advinda da cosmogonia iorubá. Ao mergulhar nesta conexão, a criança encontra sua  força ancestral, que traz a bússola de condução em direção ao que nos pertence.

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Sobre Literatura & Outras Coisas Boas | Marisa Côrrea Silva

Literatura desperta paixão – mas também pode (e deve) despertar a razão. Sem que uma seja inimiga da outra. E sem que essa mistura vire uma coisa inatingível, um Olimpo intelectual. Ou simplesmente desande. Que fique claro que uma das “outras coisas boas” do título deste livro é o convite que ele faz a cada leitor para pensar por si mesmo. Pensar com independência é o maior luxo de um humanista e, ao mesmo tempo, uma necessidade básica, gritante, em tempos de opiniões que nos chegam prontas e embaladas a vácuo.

A mulher que ri | Thays Pretti

A mulher que ri traz notícias, promessas, fantasia e a gente em transformação: pandoras, baunilhas, aquarelas vivificando tinos. Thays Pretti aqui movimenta luas. Imanta soberanas atitudes. Escancara e convida à fresta. E vem Maria mexendo o doce que já é inteiro na imaginação. A datilógrafa de salariozinho e parênteses. E vem Olívia sendo avó da noiva. E vem selva. Olho no olho que aqui a coisa é séria e leve porque virou pergunta e imenso: Onde, o amor? Assim abraços se desamarram. Cuidados são concisos. Convicções, silenciosas. Há mechas claras no cabelo. Há aranhas e raros vazios em concordância e murmúrios. Há aquela vastidão do dar-se de si. Thays orquestra vozes dum texto-senha para uma plena brotação. Porque aqui a primeira flor da primavera. E essa leitura é princípio e permissão para uma floresta toda de volta.