Ao completar um ano do início das investigações do quádruplo homicídio ocorrido na cidade de Icaraíma, noroeste do Paraná, em agosto de 2025, a Polícia Civil prestou esclarecimentos sobre o andamento do caso. Em pronunciamento oficial, o delegado responsável pelo inquérito, Thiago Andrade, ressaltou o respeito às vítimas e a solidariedade às famílias atingidas pela tragédia.
O delegado reconstruiu a linha do tempo e explicou a dinâmica dos fatos que culminaram no crime. Segundo o Andrade, tudo começou quando Alencar Gonçalves de Souza, um morador do município, contratou Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso, vindos de São Paulo para auxiliá-lo na cobrança de uma dívida de um terreno rural de cerca de R$ 250 mil.
“Uma das vítimas, residente da cidade de Icaraíma, contratou três indivíduos oriundos do Estado de São Paulo para juntos cobrarem uma dívida dos investigados. As três vítimas de São Paulo chegam em Icaraíma no dia 4, iniciam as cobranças e no dia 5 são executadas. No dia 6, se iniciam as investigações”, detalhou Andrade.
Andrade destacou a frieza dos suspeitos Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo, pai e filho, e a estrutura do crime, que impuseram barreiras ao trabalho policial. De acordo com o delegado, os criminosos tentaram apagar qualquer rastro imediatamente após as execuções.
“O grupo é extremamente organizado, eles fizeram a limpeza dos vestígios, as vítimas foram executadas e, de imediato, já se providenciou a ocultação dos cadáveres”, ressaltou.
A Polícia Civil articulou uma grande operação conjunta, recebendo suporte da Secretaria de Segurança Pública e de diversas forças policiais do Paraná e de outros estados. Centenas de diligências foram executadas em vastas extensões da zona rural da região.
“Foram feitas centenas de diligências, buscas em várias áreas rurais, em busca de informações, em busca de vestígios, em busca dos corpos. Equipes especializadas da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Científica, ajudaram de sobremaneira nessas buscas, com drones, com cães, com barcos, com sonda para vasculhar o fundo dos rios. Todo o aparato possível para essa investigação foi disponibilizado”, enfatizou o delegado.
O avanço do trabalho policial permitiu apontar os alvos centrais do crime, inclusive com diligências cumpridas fora do Paraná. No entanto, os investigados apontados como mandantes e executores diretos ainda não foram capturados. Recentemente, pai e filho foram inseridos na lista da Interpol.
“Depois de diversas diligências, inclusive diligências em outros estados, nós chegamos nos principais investigados, que encontram-se atualmente foragidos”, afirmou o delegado Thiago Andrade.
Em agosto de 2025, quatro homens identificados como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, foram mortos em uma emboscada, motivada pela cobrança de uma dívida de cerca de R$ 250 mil relacionada a uma negociação imobiliária rural. Robishley, Rafael e Diego haviam saído de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar o valor na cidade paranaense, onde se reuniram com o quarto integrante, Alencar, que atuava como mediador.
O paradeiro do grupo permaneceu desconhecido por cerca de um mês, até que em setembro de 2025 as forças de segurança localizaram o veículo do grupo enterrado em uma área rural no distrito de Vila Rica do Ivaí, em uma espécie de um “bunker”. Dias depois, os quatro corpos foram descobertos em uma vala clandestina, apresentando perfurações por disparos de arma de fogo e sinais de tortura. Os principais suspeitos do crime, apontados pela polícia como executores da emboscada, são os empresários Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Buscariollo. Ambos permanecem foragidos e tiveram seus nomes inseridos na lista da Difusão Vermelha da Interpol em julho de 2026.
A tese inicial das autoridades sobre a dinâmica do assassinato passou a ser questionada em junho de 2026, quando a assistência de acusação, conduzida pela advogada Josiane Monteiro Bichet, representando as famílias das vítimas, anexou ao processo novos registros fotográficos do exame pericial. O acervo inclui indícios de lesões de defesa nas vítimas e marcas de mutilação, elementos que contrapõem a versão policial prévia de que os quatro teriam sofrido morte instantânea no momento da abordagem.
Paralelamente às buscas pelos Buscariollo, a investigação contou com a abertura de um procedimento pela Corregedoria da Polícia Civil do Paraná. A investigação apura o suposto envolvimento de dois policiais civis lotados em Icaraíma, suspeitos de vazar informações sigilosas sobre o andamento das diligências para favorecer e facilitar a fuga de pai e filho antes do cumprimento dos mandados de prisão.
















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