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Dólar abre em queda e Bolsa recua após decisão do Copom sobre a Selic

Dólar fecha em queda e chega a R$ 4,89; Bolsa cai mais de 1%

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (6), enquanto os investidores repercutem a decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).

Às 10h44, a moeda norte-americana caía 0,62%, cotada a R$ 5,098. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,42%, aos 176.740 pontos.

Na quarta-feira (5), o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo da Selic. A decisão já era amplamente esperada pelos economistas.

No comunicado divulgado com a decisão, o colegiado não antecipou os próximos passos da política monetária e voltou a afirmar que o tamanho total do ciclo será estabelecido “à luz de novas informações”, diante dos riscos associados à trajetória dos preços. “O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou.

De acordo com Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a combinação entre a postura cautelosa do BC, as incertezas em torno da inflação e os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio tende a manter o mercado em modo de espera, com investidores atentos tanto aos balanços corporativos quanto aos sinais globais sobre risco e política monetária.

Para Araújo, o tom neutro do comunicado do BC afasta surpresas imediatas, mas aumenta a sensibilidade do mercado à divulgação de indicadores que possam antecipar a trajetória de preços e do crescimento econômico, o que costuma elevar a volatilidade intradiária.

Entre os destaques que podem movimentar a Bolsa nesta quinta estão o balanço do Bradesco, que registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025, e os resultados da Petrobras, previstos para após o fechamento do mercado.

David Beker, chefe de economia para o Brasil e de estratégia para a América Latina no BofA (Bank of America), diz que, após a decisão do Copom, o banco manteve a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, seguido de uma pausa prolongada.

Segundo o economista, o Copom alterou ligeiramente o tom em relação ao cenário doméstico. Enquanto, no comunicado anterior, a atividade econômica era descrita como “acelerando”, agora passou a ser caracterizada como em “desaceleração gradual, com sinais mistos”. O mercado de trabalho continuou sendo considerado aquecido, ao mesmo tempo em que o BC reconheceu a melhora dos indicadores recentes de inflação.

No cenário externo, Beker destacou que o comunicado manteve a referência às incertezas provocadas pela guerra e acrescentou uma menção à incerteza sobre a política monetária das economias desenvolvidas.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o comunicado foi mais claro do que o da reunião anterior e não deve gerar a mesma confusão observada na última decisão.

“Acredito que esse comunicado está mais amarrado. Sem forward guidance [ferramenta de política monetária em que um banco central comunica publicamente as suas intenções sobre os rumos futuros das taxas de juros], também acho que é um ponto importante, dado o nível de incertezas sobre o cenário básico”, diz o especialista.

Segundo Sung, o documento da decisão do BC também reforça que ainda há diversos riscos para a inflação, como a desancoragem das expectativas, o conflito no Oriente Médio e questões climáticas (com o El Niño) -que podem afetar os preços dos alimentos e medidas de incentivo à atividade econômica.

Em Wall Street, as principais bolsas abriram sem direção única, repetindo o desempenho da véspera. Na quarta, o S&P 500 caiu 0,17%, o Dow Jones subiu 0,49% e o Nasdaq recuou 0,83%.

Às 10h51, o S&P 500 e o Nasdaq avançavam 0,08% e 0,23%, respectivamente, enquanto o Dow Jones registrava queda de 0,05%.

Os investidores ainda reperctem os balanços corporativos e os dados divulgados na véspera, que mostraram desaceleração na criação de vagas de trabalho pelo setor privado dos Estados Unidos em julho.

O setor privado norte-americano abriu 44 mil postos de trabalho no mês passado, após 95 mil em junho, em dado revisado para baixo. Economistas consultados pela Reuters previam a abertura de 70 mil vagas, depois das 98 mil informadas inicialmente para junho.

No cenário internacional, os investidores seguem acompanhando os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã.

O Irã e Omã propuseram um acordo para dar fim à guerra no Oriente Médio, mas ainda não houve comentário dos EUA sobre a proposta. Ao mesmo tempo, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico de que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território desencadearia retaliações contra infraestruturas energéticas essenciais em toda a região, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters

Na segunda-feira (3), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que as conversas entre Washington e Teerã “estão ocorrendo”. A declaração foi reforçada na terça-feira (4) pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

Às 10h55, o barril do petróleo Brent subia 1,61%, cotado a US$ 80,73.

Os juros futuros abriram em alta nesta quinta-feira (6). Às 10h57, o DI para janeiro de 2028 avançava para 13,855%, alta de 0,06 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 subia para 14,410%, avanço de 0,09 ponto percentual.

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