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Um sinal no dia a dia pode indicar declínio da memória após os 50

Um sinal no dia a dia pode indicar declínio da memória após os 50

Uma mudança aparentemente simples na rotina pode fornecer pistas sobre o envelhecimento cognitivo. Pessoas que passam a realizar menos atividades leves no dia a dia, como caminhar, preparar refeições ou fazer pequenas tarefas domésticas, podem estar apresentando também uma trajetória menos favorável da memória.

A conclusão faz parte de um estudo publicado no JAMA Network Open que analisou dados de 2.529 adultos com 50 anos ou mais, residentes na Inglaterra. Os pesquisadores acompanharam a evolução cognitiva dos participantes durante 17 anos e, posteriormente, mediram de forma objetiva quanto tempo eles passavam em movimento, sentados ou dormindo.

Os resultados reforçam uma questão que vem ganhando espaço nas pesquisas sobre envelhecimento: a relação entre atividade física e saúde cerebral pode funcionar nos dois sentidos. Embora estudos anteriores associem uma rotina mais ativa a melhores resultados cognitivos, a perda de memória também pode contribuir para que uma pessoa se torne progressivamente menos ativa.

Como o estudo acompanhou a memória dos participantes?

Os pesquisadores utilizaram dados do English Longitudinal Study of Ageing, estudo de longo prazo realizado com adultos que vivem na Inglaterra.

Entre 2002 e 2019, os participantes passaram por avaliações periódicas de memória e fluência verbal. A memória foi medida por testes de recordação imediata e tardia de palavras, enquanto a fluência verbal foi avaliada por uma tarefa em que os voluntários precisavam citar nomes de animais.

Com essas informações, a equipe conseguiu identificar diferentes trajetórias cognitivas ao longo de 17 anos, distinguindo pessoas com evolução mais favorável daquelas que apresentaram queda mais acentuada no desempenho.

Em uma etapa posterior, entre 2021 e 2023, os participantes usaram acelerômetros no pulso durante oito dias consecutivos. Os aparelhos registraram o tempo dedicado a atividades físicas leves, exercícios moderados ou vigorosos, comportamento sedentário e períodos de sono.

Piora da memória foi associada a menos movimento

A principal diferença apareceu nas atividades físicas leves.

Participantes com uma trajetória de memória mais favorável faziam, em média, 14 minutos a mais de atividade física leve por dia do que aqueles cuja memória apresentou evolução menos favorável. Na semana, essa diferença corresponde a aproximadamente 1,6 hora a mais de movimento.

Entre os maiores de 70 anos, a distância ficou ainda mais evidente. Nesse grupo, uma trajetória mais favorável de memória foi associada a cerca de 20 minutos adicionais de atividade leve por dia, equivalentes a aproximadamente 2,3 horas por semana.

Atividade física leve não significa necessariamente frequentar uma academia. Caminhadas tranquilas, tarefas domésticas e outras movimentações comuns da rotina entram nessa categoria.

Mais tempo sentado também apareceu na pesquisa

Os pesquisadores observaram o comportamento inverso em relação ao sedentarismo. Pessoas com pior trajetória de memória passavam mais tempo sentadas ou deitadas enquanto estavam acordadas.

Na comparação entre os extremos das trajetórias de memória, aqueles com melhores resultados cognitivos registraram aproximadamente 12 minutos a menos de comportamento sedentário por dia. Entre participantes com mais de 70 anos, a diferença chegou a cerca de 16 minutos diários.

As diferenças relacionadas a exercícios moderados ou vigorosos foram muito menores. O mesmo ocorreu com o tempo de sono. A associação mais clara foi observada entre memória, atividade física leve e comportamento sedentário.

A fluência verbal apresentou tendência semelhante, mas as diferenças de movimentação foram menores do que aquelas encontradas nos testes de memória.

Redução de atividades pode ser um sinal a ser observado?

Os resultados sugerem que ficar menos ativo com o passar dos anos nem sempre deve ser interpretado apenas como uma consequência natural da idade ou de limitações físicas.

Segundo os autores, mudanças cognitivas podem influenciar a capacidade de iniciar, planejar e manter atividades cotidianas. Dessa forma, a redução gradual da movimentação pode, em alguns casos, acompanhar alterações na função cognitiva.

Isso não significa, porém, que uma pessoa que passa mais tempo sentada esteja necessariamente desenvolvendo demência ou algum outro problema cognitivo. O estudo identificou uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Os próprios pesquisadores destacam que outros fatores podem influenciar tanto a cognição quanto o nível de atividade física. A amostra também era predominantemente branca, e a medição dos movimentos ocorreu durante o período da pandemia de Covid-19, embora não durante lockdowns nacionais.

Exercício e saúde do cérebro podem estar ligados nos dois sentidos

A pesquisa acrescenta uma nova perspectiva ao debate sobre exercício e envelhecimento cerebral. Em vez de considerar apenas que a atividade física pode influenciar a cognição, os autores apontam que alterações cognitivas também podem modificar a quantidade de movimento realizada na vida cotidiana.

Para os pesquisadores, entender essa relação é importante porque uma queda na atividade diária pode refletir mudanças funcionais que merecem atenção, principalmente entre pessoas mais velhas.

O estudo foi publicado em maio de 2026 no JAMA Network Open e concluiu que trajetórias menos favoráveis de memória estavam associadas posteriormente a menos atividade física leve e mais tempo sedentário, efeito que se mostrou mais pronunciado entre adultos com mais de 70 anos.
 
 

Meningite e encefalite estão entre as infecções mais graves do sistema nervoso central. A meningite provoca inflamação das meninges − membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal −, enquanto a encefalite compromete diretamente o tecido cerebral.

Rafael Damas | 21:00 – 10/08/2026