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Presos, pai e filho da família Buscariollo devem passar por audiência de custódia ainda nesta terça-feira (18), afirma advogado

Advogado da família Buscariollo afirma pai e filho devem responder pelos crimes com as garantias da constituição

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Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo, presos nesta terça-feira (18) em uma operação da Polícia Civil do Paraná, em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior de São Paulo (SP), passarão, ainda hoje, por audiência de custódia. A informação foi confirmada pelo advogado Renan Farah.

“[…] eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente. É o momento que o Poder Judiciar analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo”, afirmou o advogado.

Além de Antônio e Paulo Ricardo, também foi preso Carlos Henrique Buscariollo, na cidade de Santa Bárbara do Oeste (SP). Carlos Henrique é filho de Antônio Buscariollo e, segundo a defesa, ele não estava na cidade de Icaraíma na época dos fatos.

“Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família e, em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante que será demonstrada pela defesa. Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado”, disse.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu quatro homens – Antônio, Paulo Ricardo, Carlos Eduardo e Carlos Henrique Buscariollo – foragidos pelo quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma, no Noroeste do Estado, em agosto de 2025.

As capturas aconteceram nas primeiras horas desta terça-feira (18). Pai e filho foram localizados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP). Outro filho do foragido foi preso em Santa Bárbara do Oeste (SP). O quarto indivíduo já se encontrava preso por outro crime.

“Desde a identificação dos suspeitos, a PCPR permaneceu empenhada em sua localização e empregou todos os recursos disponíveis para sua prisão”, afirmou o delegado da PCPR Izaias Cordeiro, chefe da Subdivisão Policial de Umuarama.

Os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PCPR.

“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio a mata”, disse o delegado da PCPR Thiago Teixeira, do Departamento de Operações Especiais.

Foto: Polícia Civil

Em agosto de 2025, quatro homens identificados como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, foram mortos em uma emboscada, motivada pela cobrança de uma dívida de cerca de R$ 250 mil relacionada a uma negociação imobiliária rural. Robishley, Rafael  e Diego haviam saído de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para cobrar o valor na cidade paranaense, onde se reuniram com o quarto integrante, Alencar, que atuava como mediador.

O paradeiro do grupo permaneceu desconhecido por cerca de um mês, até que em setembro de 2025 as forças de segurança localizaram o veículo do grupo enterrado em uma área rural no distrito de Vila Rica do Ivaí, em uma espécie de um “bunker”. Dias depois, os quatro corpos foram descobertos em uma vala clandestina, apresentando perfurações por disparos de arma de fogo e sinais de tortura. Os principais suspeitos do crime, apontados pela polícia como executores da emboscada, são os empresários Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Buscariollo. Ambos permanecem foragidos e tiveram seus nomes inseridos na lista da Difusão Vermelha da Interpol em julho de 2026.

A tese inicial das autoridades sobre a dinâmica do assassinato passou a ser questionada em junho de 2026, quando a assistência de acusação, conduzida pela advogada Josiane Monteiro Bichet, representando as famílias das vítimas, anexou ao processo novos registros fotográficos do exame pericial. O acervo inclui indícios de lesões de defesa nas vítimas e marcas de mutilação, elementos que contrapõem a versão policial prévia de que os quatro teriam sofrido morte instantânea no momento da abordagem.

Paralelamente às buscas pelos Buscariollo, a investigação contou com a abertura de um procedimento pela Corregedoria da Polícia Civil do Paraná. A investigação apura o suposto envolvimento de dois policiais civis lotados em Icaraíma, suspeitos de vazar informações sigilosas sobre o andamento das diligências para favorecer e facilitar a fuga de pai e filho antes do cumprimento dos mandados de prisão.

Foto: Redes sociais