A mãe de Gabriela Barbosa, brasileira de 33 anos morta em Oeiras, na região de Lisboa, chegou a Portugal e afirmou que pretende lutar pela guarda da neta de 4 anos. A criança estava no apartamento quando o irmão, de 15 anos, matou a mãe na semana passada.
Em entrevista à CNN Portugal, a avó materna disse que já desejava que a filha retornasse ao Brasil com as crianças e que Gabriela havia manifestado a intenção de deixar a menina sob seus cuidados.
“Quero a minha neta”, afirmou. Segundo ela, Gabriela enfrentava dificuldades para conseguir a documentação necessária para viajar com os filhos, inclusive por depender de autorização do pai das crianças, que está preso em Portugal.
A brasileira contou ainda que a filha planejava voltar ao Brasil no fim deste ano. Gabriela, segundo a mãe, cogitava deixar a caçula com a avó materna e o adolescente com familiares do lado paterno.
Antes da mudança para Portugal, a família vivia próxima, no Brasil, e a avó acompanhava de perto a rotina dos netos. Gabriela havia se estabelecido em território português com os filhos em 2024.
Avó diz que sabia dos conflitos entre mãe e filho
A mãe de Gabriela afirmou que tinha conhecimento das dificuldades enfrentadas pela filha na relação com o adolescente. Segundo seu relato, a brasileira dizia que o filho se recusava a frequentar a escola e que os conflitos dentro de casa estavam se tornando cada vez mais difíceis.
Mesmo sabendo dos episódios de agressividade, a avó afirmou que nunca imaginou que o neto pudesse matar a própria mãe.
Apesar da morte da filha, ela disse não sentir “ódio, nem raiva” do adolescente e afirmou que não pretende alimentar esses sentimentos.
A família já enfrentava uma situação considerada de fragilidade pelas autoridades portuguesas. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras acompanhava os dois irmãos desde maio de 2024. Em junho de 2025, o caso foi encaminhado à Procuradoria do Juízo de Família e Menores de Cascais após o descumprimento de medidas de proteção anteriormente aplicadas.
Família quer guarda de menina de 4 anos
O futuro da filha mais nova de Gabriela passou a ser uma das principais questões após o crime. Familiares no Brasil já haviam iniciado procedimentos para tentar levar a criança ao país, inclusive buscando documentação de emergência.
Parentes do lado paterno também viajaram a Portugal e manifestaram interesse em assumir a guarda da menina. De acordo com informações divulgadas pelo UOL, uma tia e a avó paterna procuraram a Justiça portuguesa com o mesmo objetivo.
A definição sobre quem ficará responsável pela criança caberá às autoridades portuguesas, que deverão avaliar as condições familiares e o melhor interesse da menina.
Família estuda pedir indenização a Portugal
Além da disputa pela guarda, familiares de Gabriela pretendem responsabilizar o Estado português por supostas falhas no acompanhamento da família.
A advogada Gisely Steagall afirmou que os menores já estavam sinalizados pelos serviços de proteção e defendeu que deveriam ter sido adotadas medidas diferentes antes da morte de Gabriela. A eventual responsabilidade do Estado, no entanto, ainda terá de ser discutida judicialmente.
Segundo as informações apresentadas pela família, um eventual pedido de indenização buscaria garantir recursos para as despesas dos filhos de Gabriela até a maioridade. O valor ainda não foi definido.
Adolescente está internado em regime fechado
Gabriela morreu depois de ser estrangulada com um golpe conhecido como “mata-leão”, no apartamento da família, na região de Oeiras. O adolescente relatou à Polícia de Segurança Pública que havia discutido com a mãe antes de aplicar o golpe. A irmã de 4 anos também estava na residência.
O jovem permaneceu no imóvel por várias horas após a morte e, posteriormente, acionou as autoridades. A Polícia Judiciária identificou fortes indícios de um ato que, se tivesse sido praticado por uma pessoa com mais de 16 anos, poderia configurar homicídio qualificado.
Como tem 15 anos, o adolescente não responde criminalmente pelas regras aplicáveis aos adultos em Portugal. O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste determinou seu internamento preventivo em um centro educativo, em regime fechado, por três meses. A medida deverá ser reavaliada após dois meses.
As autoridades também investigam o histórico de violência dentro da família. A Polícia Judiciária informou que o contexto do caso pode estar relacionado a alegados maus-tratos físicos e psicológicos contra os dois filhos. O pai das crianças está preso preventivamente em outro processo relacionado à violência doméstica.
















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