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Estudo liga bebida açucarada diária a maior risco de câncer de estômago

Estudo liga bebida açucarada diária a maior risco de câncer de estômago

Consumir uma bebida açucarada por dia pode estar associado a um risco maior de desenvolver câncer de estômago. É o que aponta um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na revista científica Gastro Hep Advances.

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (17) por cientistas do hospital Mass General Brigham, analisou dados de mais de 112 mil pessoas e investigou a relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento de câncer gástrico.

Os resultados indicaram que o consumo frequente de bebidas adoçadas com açúcar, como refrigerantes e limonadas, estava relacionado a um risco 2,45 vezes maior de diagnóstico da doença em comparação com pessoas que raramente ingeriam esse tipo de produto.

Entre as mulheres, a associação foi ainda mais elevada: o risco observado foi 3,04 vezes maior.

Ao longo do período analisado, 278 participantes receberam diagnóstico de câncer de estômago.

Refrigerantes e outras bebidas açucaradas entram no alerta

O estudo chama atenção principalmente para o consumo regular, em torno de uma porção diária, de bebidas com adição de açúcar.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados mostram uma associação e não significam que o consumo dessas bebidas, isoladamente, seja responsável pelo desenvolvimento do câncer gástrico.

“O câncer do estômago é a quinta principal causa de morte por câncer em todo o mundo, mas sabe-se muito pouco sobre como a dieta pode contribuir para essa doença”, afirmaram os autores.

A pesquisa também avaliou a presença da bactéria Helicobacter pylori, conhecida como um dos principais fatores de risco para o câncer de estômago. Segundo os dados apresentados, 940 participantes foram analisados nesse aspecto, e mais de um terço apresentou a infecção.

O que pode aumentar o risco de câncer de estômago?

O câncer gástrico tende a ser mais frequente após os 50 anos e atinge mais homens do que mulheres. Diversos fatores estão associados ao aumento do risco da doença.

Sexo

Homens apresentam risco maior de desenvolver câncer gástrico. Estudos investigam, entre outras hipóteses, se fatores hormonais podem ajudar a explicar essa diferença.

Excesso de sal

Uma alimentação com grande quantidade de sal também está associada ao risco de câncer de estômago, especialmente quando esse padrão alimentar começa cedo.

Alimentos em conserva, carnes processadas, embutidos e produtos muito salgados podem danificar a mucosa do estômago e favorecer alterações no tecido.

Compostos nitrosos

A exposição a determinadas substâncias nitrosas presentes em alimentos, fumaça e outras fontes ambientais também é estudada por sua possível relação com alterações pré-cancerosas no estômago.

Carnes processadas

Salsichas, bacon, presunto, carne seca e outros produtos processados também merecem atenção.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, classifica as carnes processadas como carcinogênicas para humanos, com evidências de associação a determinados tipos de câncer.

Obesidade, cigarro e álcool

Obesidade, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas também estão entre os fatores associados a maior risco de câncer gástrico.

Exposição ocupacional

Trabalhadores expostos a determinados agentes em setores como mineração de carvão, processamento de metais e indústria da borracha também podem apresentar risco aumentado.

H. pylori e vírus Epstein-Barr

A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é um dos fatores mais conhecidos relacionados ao câncer de estômago. Ela pode provocar inflamação prolongada e alterações progressivas na mucosa gástrica.

O vírus Epstein-Barr, conhecido por causar mononucleose infecciosa, também é associado a uma parcela dos tumores gástricos. Estimativas apontam que entre 5% e 10% dos casos de câncer de estômago no mundo podem ter relação com o vírus.

O estudo sobre bebidas açucaradas reforça que a alimentação pode ser uma das peças envolvidas no risco da doença, mas deve ser analisada em conjunto com fatores genéticos, infecciosos, ambientais e de estilo de vida.

Especialistas alertam que a doença nem sempre aparece como uma pinta escura. Feridas que não cicatrizam, manchas avermelhadas e lesões persistentes na pele podem ser sinais importantes e não devem ser ignorados

Notícias ao Minuto | 15:00 – 20/08/2026