Quando Rachel e Leon Netto decidiram vender o negócio que mantinham no Rio de Janeiro e se mudar para Portugal, em 2017, deixaram para trás uma operação já estabelecida, clientes e uma rede de fornecedores construída ao longo dos anos. A escolha significava começar novamente em outro país e, desta vez, com uma marca própria.
O primeiro passo veio em 2018, com a abertura da Casa do Sono, em Lisboa. A loja tinha apenas 40 metros quadrados e funcionava praticamente com o trabalho dos dois. Rachel cuidava do atendimento e das vendas, enquanto Leon fazia as entregas.
Sete anos depois, o casal está à frente de um grupo que reúne as marcas Casa do Sono e Euro Sofás, mantém oito lojas em funcionamento e faturou cerca de R$ 26 milhões em 2025. Segundo dados da empresa, o negócio registra crescimento médio anual de 92%.
“Nunca pensamos apenas em abrir lojas. Sempre pensamos em construir um grupo, desenvolver marcas próprias e criar um modelo de negócio que pudesse crescer de forma consistente”, afirma Leon Netto, CEO do grupo.
De franquias no Rio a uma marca própria em Portugal
A experiência dos dois no setor começou muito antes da mudança para a Europa. Rachel entrou no mercado de colchões aos 18 anos e, aos 23, abriu a primeira franquia ao lado de Leon.
No Rio de Janeiro, o casal chegou a operar uma unidade no CasaShopping, um dos principais centros de decoração da cidade. Em 2015, já administrava um negócio estruturado e rentável.
Leon também teve uma trajetória profissional fora do varejo. Antes de se dedicar ao empreendedorismo, atuou como goleiro profissional, com passagens por clubes do Brasil, Portugal, Paraguai, Costa Rica, Estônia e Inglaterra.
Mesmo com a empresa consolidada no Brasil, os dois decidiram vender a operação e investir em um projeto próprio em Portugal.
“Foi uma decisão que assustou muita gente. Nós tínhamos uma empresa estruturada no Brasil, clientes, fornecedores e uma operação consolidada. Mas queríamos construir algo que tivesse a nossa identidade e acreditávamos que esse era o momento de recomeçar”, diz Leon.
Para Rachel, uma das maiores dificuldades da mudança foi reconstruir relações profissionais que haviam levado anos para serem estabelecidas no Brasil.
“Quando você migra, perde praticamente todo o capital que levou anos para construir: clientes, fornecedores, reputação e relacionamento. Tivemos que conquistar tudo novamente”, afirma.
Atendimento do início virou parte da estratégia
A falta de estrutura nos primeiros meses obrigou o casal a acompanhar praticamente todas as etapas da operação. O contato direto com os consumidores acabou sendo incorporado ao modelo de negócio mesmo depois da expansão.
“O cliente sempre foi o centro de tudo. Nós ouvíamos a rotina de cada pessoa antes de recomendar qualquer produto. Esse atendimento próximo nasceu porque fazíamos tudo sozinhos e continua sendo um dos pilares da empresa”, diz Leon.
Outra mudança ocorreu quando o grupo passou a negociar diretamente com fabricantes chineses. A estratégia permitiu participar do desenvolvimento dos produtos vendidos pelas marcas e ampliar o portfólio próprio.
“Quando passamos a negociar diretamente com os fabricantes, deixamos de apenas comprar produtos e começamos a desenvolvê-los em conjunto. Isso mudou o nosso negócio e abriu caminho para uma expansão muito mais consistente”, afirma o empresário.
O crescimento também levou à criação da Euro Sofás, voltada ao segmento de sofás premium.
Grupo planeja chegar a 30 lojas em Portugal
Agora, Rachel e Leon iniciam uma nova etapa de expansão. O grupo prevê investir aproximadamente R$ 2,5 milhões e chegar a 30 unidades em Portugal nos próximos cinco anos.
Duas novas lojas foram abertas recentemente, e uma unidade da Casa do Sono está sendo preparada no Algarve, no sul do país. O espaço terá cerca de 800 metros quadrados e, segundo a empresa, será a maior loja especializada em colchões de Portugal.
A operação também recebeu o selo PME Líder 2025, reconhecimento concedido em Portugal a pequenas e médias empresas que apresentam determinados indicadores de desempenho econômico e financeiro.
Para Leon, a trajetória construída desde a pequena loja em Lisboa está diretamente relacionada à necessidade de adaptação imposta pela mudança de país.
“Empreender em outro país exige coragem todos os dias. Mas essa experiência também reforçou a convicção que sempre tivemos de que o brasileiro tem uma enorme capacidade de adaptação, criatividade e disposição para construir. Foi isso que nos permitiu transformar uma pequena loja em um grupo que continua crescendo”, afirma.
















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