A União Europeia começa nesta quinta-feira (3) a suspender a entrada de produtos de origem animal do Brasil, em uma medida que atinge diretamente um dos principais setores da economia brasileira.
O bloqueio inclui carne bovina e de frango, além de outros produtos como pescado, ovos, mel e tripas.
A justificativa apresentada pelo bloco europeu está relacionada às regras sobre o uso de antimicrobianos, incluindo medicamentos utilizados no tratamento e prevenção de infecções em animais.
A União Europeia considera que o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os requisitos sanitários exigidos pelo bloco estão sendo cumpridos em toda a cadeia produtiva.
O governo brasileiro, por sua vez, trabalha para demonstrar que o sistema nacional de controle sanitário é capaz de atender às exigências europeias.
O problema ganhou dimensão econômica porque a União Europeia é um mercado considerado estratégico para a carne brasileira, especialmente para produtos de maior valor agregado.
Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil exportou cerca de 63,7 mil toneladas de carne bovina para o bloco, com receita aproximada de US$ 562 milhões.
A suspensão não significa que a carne brasileira esteja proibida de ser comercializada no Brasil ou em outros países. O problema está especificamente na autorização para entrada no mercado europeu.
O setor produtivo também teme o efeito sobre frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia ligada à produção de proteína animal.
Outro ponto de preocupação é a duração da suspensão. A retomada das exportações dependerá da comprovação de que as exigências europeias foram atendidas.
O Brasil tenta acelerar esse processo por meio de negociações técnicas e diplomáticas.
Uma auditoria europeia realizada no país também deverá contribuir para a avaliação dos sistemas de controle sanitário brasileiros.
A expectativa é que alguns produtos possam ter a suspensão revista antes da carne bovina, dependendo dos resultados das avaliações.
Para o produtor brasileiro, o principal risco está na perda temporária de um mercado que remunera determinados cortes com preços superiores aos praticados em outros destinos.
Para os consumidores brasileiros, porém, o bloqueio europeu não significa falta de carne no mercado interno.
O Brasil continua entre os maiores produtores e exportadores mundiais de proteína animal e possui diversos mercados compradores.
O episódio, entretanto, aumenta a pressão para que o país consiga demonstrar, de forma documental e técnica, que seus sistemas de controle atendem aos diferentes padrões exigidos pelos compradores internacionais.
A questão passa agora a ser uma corrida contra o tempo: quanto mais demorar a reabertura do mercado europeu, maior poderá ser o impacto sobre exportadores e produtores brasileiros.
A medida também coloca a sanidade animal e a rastreabilidade da produção no centro das discussões sobre o futuro das exportações brasileiras.
Fontes: Comissão Europeia; Ministério da Agricultura e Pecuária; Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec); Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
















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