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“Comunidade precisa conhecer melhor a UEM para defendê-la”, afirma Gisele Mendes, reitora eleita

"Comunidade precisa conhecer melhor a UEM para defendê-la", afirma Gisele Mendes, reitora eleita

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A partir do dia 9 de outubro, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) iniciará um novo ciclo administrativo sob o comando do quadriênio 2026-2030. Eleita para liderar uma comunidade de aproximadamente 25 mil pessoas — entre estudantes, professores e agentes universitários — e gerir um orçamento anual na casa de R$ 1 bilhão, a advogada e professora Gisele Mendes detalhou ao Maringá Post as diretrizes do seu mandato. Ao lado do vice-reitor eleito, Geovanio Edervaldo Rossato, ela assume o posto com a bagagem de quem atuou na atual gestão como vice-reitora e traz no currículo um marco histórico: é apenas a segunda mulher a ocupar o cargo máximo da instituição em 56 anos de existência — feito antes alcançado apenas por Neusa Altoé (1998–2002).

Prata da casa, Gisele ingressou na UEM há exatos 30 anos como acadêmica do curso de Direito. Para ela, essa vivência acumulada na graduação e nos quadros diretivos credencia a nova equipe a conduzir uma transição fluida a partir das reuniões de trabalho agendadas para o primeiro dia útil após a posse (13 de outubro). A proposta central da nova gestão busca unificar os diferentes setores da comunidade acadêmica em torno de um objetivo comum: a permanência estudantil, a defesa da autonomia universitária, a melhoria contínua da infraestrutura e o fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão nos seis campus (Maringá, Cidade Gaúcha, Cianorte, Diamante do Norte, Ivaiporã, Campo Mourão e Goioerê), além dos polos de Educação a Distância (EaD).

Revitalização do campus, iluminação e segurança

Entre as ações imediatas apontadas pela reitora eleita, a manutenção preventiva e a revitalização estética e estrutural dos espaços de convivência do campus sede aparecem como prioridades absolutas. Gisele pontuou que a percepção de abandono relatada por parte da comunidade decorre do déficit contínuo de agentes de manutenção, uma vez que diversas funções operacionais foram extintas por legislação estadual ao longo dos anos. Como resposta prática, a gestão focará em reparos do dia a dia, zeladoria do verde e no reforço substancial da iluminação pública nas vias internas, medida considerada fundamental para elevar a segurança e incentivar a circulação de alunos nos períodos noturnos.

Outro ponto levantado envolve o aprimoramento da logística de compras e serviços. A reitora destacou que o recente Decreto Estadual 14.715, que regulamenta compras diretas e atas de registro de preços, garantirá maior agilidade administrativa para executar verbas já disponíveis sem esbarrar na burocracia tradicional. Paralelamente às melhorias visuais, a reitoria pretende estreitar os laços com a população de Maringá e da região — atravessando simbolicamente a Avenida Colombo —, promovendo mais eventos culturais e de integração comunitária para reafirmar a UEM como o principal patrimônio intelectual e científico da região.

Assistência estudantil e a criação de nova Pró-Reitoria

A garantia da permanência dos acadêmicos até o encerramento do ensino superior desponta como uma das principais bandeiras da futura gestão. Embora os índices do último vestibular tenham apontado um crescimento de 20% na procura por vagas na graduação — somado ao ingresso contínuo via Processo de Avaliação Seriada (PAS) —, a evasão universitária permanece como um gargalo a ser combatido. Para estruturar esse amparo, Gisele confirmou a intenção de criar uma Pró-Reitoria específica de Assistência Estudantil, utilizando a autonomia organizacional da própria UEM para alinhar o organograma da universidade ao que já ocorre nas demais instituições estaduais paranaenses.

No âmbito da alimentação acadêmica, o Restaurante Universitário (RU) — que recentemente expandiu o atendimento para café da manhã, almoço e jantar ao custo módico de R$ 3,90 por refeição aos alunos — deve passar por novos avanços. A reitoria pretende articular junto ao Governo do Estado um pleito para a isenção total da taxa cobrada dos estudantes. A ideia é transformar o subsídio em política pública estadual de permanência, liberando recursos do orçamento interno da universidade para investir em outras benfeitorias diretas em prol dos acadêmicos.

Desafios do Hospital Universitário 

Na área da saúde, o Hospital Universitário Regional de Maringá (HU) recebeu atenção especial durante a entrevista. Sendo a única unidade hospitalar 100% SUS de grande porte em Maringá e referência para mais de 2 milhões de pessoas em toda a macrorregião Noroeste, o HU enfrenta um déficit severo de servidores efetivos de carreira: hoje, menos da metade do seu quadro de funcionários é composta por concursados, sobrevivendo à custa de credenciamentos precarizados de prestadores de serviço com CNPJ.

Gisele enfatizou que a luta por autorização de concursos públicos, tanto para o HU quanto para os departamentos de ensino e setores administrativos, será a pauta mais profunda de diálogo com o futuro  poder executivo estadual. Nos últimos anos, a UEM perdeu mais de 800 servidores sem que houvesse a devida reposição, dependendo de contratos temporários por Processo Seletivo Simplificado (PSS) que dificultam a retenção do capital humano. Além da busca por novos concursos, a gestão defenderá a valorização da carreira dos agentes universitários, pleiteando adicionais de titulação para os técnicos operacionais.

Relação com o Governo do Estado

Diante do cenário político de transição que também se aproxima no âmbito estadual, Gisele demonstrou otimismo e abriu as portas da universidade para o diálogo com todas as correntes políticas. Ela ressaltou que o ensino superior estadual paranaense conta com sete universidades públicas que já formaram centenas de milhares de estudantes — com a UEM sendo responsável sozinha pela diplomação de 90 mil profissionais. A Reitora reafirmou que o compromisso da nova gestão será apresentar essas demandas de forma propositiva a qualquer governante, garantindo investimentos contínuos na produção de ciência, tecnologia e extensão no interior do Paraná.