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Centro de reabilitação em Maringá é o que mais devolve animais silvestres para a natureza no interior do Paraná

Centro de reabilitação em Maringá é o que mais devolve animais silvestres para a natureza no interior do Paraná

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Apesar de ter uma área pequena de vegetação nativa comparada com outras regiões do Paraná, Maringá tem uma grande contribuição na preservação da fauna silvestre do estado. É na Cidade Canção que está instalado o centro de reabilitação que mais recupera e devolve animais silvestres para a natureza no interior paranaense.

O Centro de Atendimento à Fauna Silvestre (CAFS) de Maringá é a unidade referência do Instituto Água e Terra (IAT) na região noroeste. Localizado na Fazenda Unicesumar, no extremo norte da cidade, o CAFS é mantido pela instituição de ensino privada e recebe, diariamente, animais que são capturados em áreas urbanas, com ferimentos e, na maioria dos casos, vítimas de contrabando.

Todos os anos, cerca de 38 milhões de animais são retirados ilegalmente da natureza no Brasil, segundo dados do Ibama. No Paraná, em 2025 foram 1,5 mil apreensões de bichos que seriam vítimas do contrabando ilegal, conforme levantamento feito pelo IAT. Deste total, 511 foram encaminhados para Maringá. No Centro de Atendimento à Fauna Silvestre os espécimes recebem comida, atendimento veterinário e são preparados para serem devolvidos ao habitat de origem.

Atualmente, o CAFS maringaense tem 100 animais abrigados. Recentemente, o espaço realizou a soltura de 28 bichos. Desde que começou a operar, em 2022, foram mais de 2 mil animais atendidos e devolvidos para a natureza. Em volume de atendimento, a unidade de Maringá só está atrás de Curitiba no Paraná.

Em entrevista ao Maringá Post, a Médica Veterinária responsável pelo espaço, Milena Cleis, explicou que não há um prazo mínimo para que os bichos sejam fiquem em tratamento no local. Aqueles que, por algum motivo, não sobreviveriam caso devolvidos à mata nativa, são encaminhados para unidades de conservação, como o Parque Nacional do Iguaçu.

Espaço realizou, na semana passada, soltura de 28 animais. Outros 100 seguem em tratamento | Foto: Victor Ramalho/Maringá Post

“O CAFS é um espaço que a gente tem aqui para receber os animais que estão em situação de risco. Então, são animais recuperados de tráfico, maus-tratos, apreensões ou até algum animal que é da natureza, mas sofreu ali algum acidente que está precisando de um atendimento, de um cuidado maior. Então, ele vem para cá, a gente cuida desses animais (e os que a gente consegue, a gente devolve para a natureza. O processo de reabilitação vai depender muito de cada espécie, cada animal e o que trouxe ele até aqui. Se é alguma coisa simples, ele vai passar o mínimo de tempo possível, então, a gente vai reabilitar ele e vai soltar logo na natureza. Mas se algumas vezes é alguma fratura, alguma lesão um pouco mais extensa, ele acaba ficando um pouco mais aqui e depois encaminhado para uma unidade de preservação ambiental”, afirmou.

O Centro recebe apenas animais encaminhados por forças de segurança ambiental, casos de Ibama, Polícia Ambiental, IAT e aqueles resgatados por outras forças, como Corpo de Bombeiros. Por questões legais, o espaço não é aberto para visitação.

Atuando no local desde a inauguração, a doutora explica que ver os bichos voltando para a natureza é a recompensa diária. “A melhor parte do trabalho é ter esse contato diário com eles, a gente conseguir acompanhar eles, a gente pega muito de características de indivíduo, então qualquer coisa diferente a gente consegue perceber muito rápido porque a gente já está acostumado com o animal e ele é acostumado com a gente. E a melhor parte mesmo é a parte da soltura, quando a gente consegue devolvê-los para a natureza mesmo”, disse.

Unidade se tornou referência para estudantes de veterinária

As atividades do CAFS Maringá são geridas por veterinários registrados e professores do curso de Medicina Veterinária da Unicesumar. O contato direto com os bichos acaba servindo de aprendizado para estudantes do curso, que realizam estágio no local e são responsáveis por atividades diárias, como alimentação dos animais, manutenção dos abrigos e manejo dos espécimes quando há necessidade de atendimento.

Sem outra unidade de tratamento na região, o Centro acaba sendo ‘disputado’ por estudantes de outras universidades. Segundo a Coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Unicesumar, Patrícia Campos, em alguns casos há pedidos de estágio vindos de acadêmicos até de fora do país.

“Hoje nós recebemos via e-mail, contato por WhatsApp, solicitações de alunos de outras universidades, tanto aqui de Maringá, da região, recebemos também um pedido de um aluno de fora do país recentemente, ele viu na mídia informações sobre o CAFSS e falou ‘nossa, é um lugar que eu quero conhecer e quero poder aproveitar essa prática’, para conhecer mais de perto esses animais, como é feito o manejo. É um aprendizado único, então ele não só vê o que está nos livros, mas a realidade mesmo, a rotina, o que realmente acontece hoje em dia com esses animais de perto desde a hora que ele chega, o que vai acontecer com ele aqui, como ele vai ser cuidado”, descreveu a professora.

Para quem precisa de resgate de animais silvestres em situação de risco, o contato com o Instituto Água e Terra (IAT) pode ser feito através do (44) 3226-1805. Já a Polícia Ambiental atende pelo (44) 3227-4356.