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Bastidores da CCJ, zeladoria sob pressão e o xadrez político de Maringá: Odair Fogueteiro abre o jogo no Ponto a Ponto

Bastidores da CCJ, zeladoria sob pressão e o xadrez político de Maringá: Odair Fogueteiro abre o jogo no Ponto a Ponto

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Maringá — A dinâmica dos bastidores do Legislativo, a fiscalização rigorosa sobre a legalidade de projetos de lei, o atendimento diário à saúde pública e os embates sobre as grandes obras e a zeladoria de Maringá foram os temas centrais da entrevista do vereador Odair Fogueteiro ao podcast Ponto a Ponto, produzido em parceria com o VMark Estúdio.

 

Com trajetória iniciada nas eleições de 2004 e exercendo atualmente funções de destaque como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e segundo-secretário da Mesa Diretora, Fogueteiro conversou com o jornalista Ronaldo Nezo. Durante o diálogo, relembrou suas origens empresariais e comunitárias, avaliou os primeiros passos da administração Silvio Barros e detalhou as articulações para a sucessão interna na Câmara Municipal.

 

Da atividade comercial à política comunitária no Jardim Alvorada

 

Empresário consolidado no ramo de fogos e artefatos, o parlamentar explicou que sua entrada na vida pública não partiu de um plano pessoal, mas de uma convocação comunitária liderada pela Igreja Católica no início dos anos 2000. Na época, geria empresas com quase 60 funcionários e vendas em vários estados do Sul.

 

“A referência é uma só: foi o padre Darcy que me convidou a entrar na política”, relembrou Odair. O estopim foi o fechamento do pronto-atendimento do Jardim Alvorada durante a gestão do ex-prefeito José Cláudio, votação que contou com apoio de parlamentares da época e gerou forte revolta no bairro. “O padre Darcy foi na minha empresa junto com o senhor Zé Tonholy e falou para eu pensar com carinho sobre essa ida para a política. Minha esposa disse no primeiro momento que eu não entendia nada de política e que não era o nosso ramo”.

 

Após reiterados pedidos e um almoço em família, Fogueteiro aceitou o desafio. Concorreu em 2004 levantando a bandeira da reabertura do pronto-socorro e acabou eleito como o oitavo mais votado da cidade, com mais de 2,2 mil votos. Naquela mesma noite de apuração, consolidou sua principal aliança política: “Era mais ou menos meia-noite, eu estava deitado, sem acreditar, com muita chuva lá fora, quando o telefone tocou. Minha filha me chamou: ‘Papai, Ricardo Barros quer falar com o senhor’. Saí da cama para atender. Desde aquele telefonema até hoje, estou junto com o Ricardo”.

 

A ligação com as paróquias, segundo o parlamentar, estruturou sua base de atuação em toda a cidade: “Hoje continuo próximo a vários padres, como o padre Luiz de Azevedo, padre Walter, padre Janivaldo e padre Claudinei. Quando a paróquia precisa de algo com o poder público, eles me procuram e eu entro em ação”.

 

A prioridade na saúde e a rotina do gabinete

 

Ao definir a rotina de seu mandato, Odair enfatizou que a atuação social do gabinete está concentrada no encaminhamento de exames e cirurgias de urgência para a população de baixa renda, em diálogo direto com a pasta comandada pelo secretário Dr. Nardi.

 

“Sempre falo para os meus assessores: uma árvore pode esperar, uma poda pode esperar, um tapa-buraco pode esperar, mas a doença não espera”, disparou o vereador. “Nenhum ser humano consegue dormir com dor de dente. Agora, imagina se a pessoa descobre que está com um tumor, um câncer, uma hérnia estourada, ou sofre um acidente e quebra perna ou braço no corredor do HU ou na UBS. É nessa hora que a equipe tem que entrar em ação”.

 

Questionado se essa intervenção parlamentar não evidenciava fragilidades no Sistema Único de Saúde local, Fogueteiro contestou e ressaltou que a estrutura pública enfrenta uma sobrecarga inerente à complexidade de uma cidade polo regional:

 

“Não entendo dessa forma. O poder público tem feito a sua obrigação ao máximo. O que acontece muitas vezes é que certas cirurgias são de altíssima gravidade”. O vereador citou ainda o impacto dos acidentes de trânsito: “Ao mesmo tempo que desocupa um leito, chegam dois, três motoqueiros que caíram, um com a cabeça rachada e outro com braço quebrado. Cidades grandes sofrem com isso e é preciso acolher”.

 

Freio a projetos inconstitucionais e pedagogia aos novatos na CCJ

 

À frente da Comissão de Constituição e Justiça, Fogueteiro assumiu os trabalhos com a meta de destravar o acúmulo de matérias. Segundo ele, havia mais de 100 projetos represados no colegiado desde períodos anteriores. “Foi um número assustador. Convoquei sessões extraordinárias logo nas primeiras semanas e equilibramos o fluxo para a média normal de 15 a 20 matérias semanais”, explicou.

 

O papel do presidente da comissão, contudo, tem sido também o de conter propostas inviáveis ou com vício de iniciativa apresentadas pelos vereadores. O parlamentar citou como exemplo recente um projeto que tentava alterar as regras municipais de corte e poda de árvores, o qual foi barrado após consulta à Secretaria de Infraestrutura.

 

“Muitas vezes o vereador acorda, está tomando café da manhã e pensa: ‘vou pôr um projeto para acabar com os cachorros na cidade e obrigar o prefeito a soltá-los na cidade vizinha’. Ele protocola, mas os pareceres técnicos virão todos contrários e o projeto terá a inadmissibilidade declarada”, ironizou.

 

Para evitar desgaste público e vetos do Executivo, o vereador adota uma postura pedagógica com os colegas: “Eu chamo o autor ao gabinete, mostro o parecer do jurídico e das secretarias e explico que a matéria não pode tramitar. 

 

A pressão das redes sociais 

Ainda sobre o comportamento no Legislativo, Fogueteiro lamentou que parlamentares novatos usem a internet para anunciar projetos em fase inicial como se já fossem leis aprovadas, gerando falsas expectativas no eleitorado.

 

“O novato protocola o projeto e já corre para a rede social dizer que apresentou uma lei que vai dar isenção de luz ou criar um benefício. Ele fala como se estivesse aprovado. Mas enquanto a proposta tramita pelas comissões e pelo Executivo, não se pode divulgar assim. Veteranos como o Mário Hossokawa não fazem isso. Ele espera tramitar e, quando chega para votar, faz a articulação política necessária. Senão você passa vergonha se o projeto nem sai da CCJ”, pontuou.

 

O vereador refletiu sobre o impacto da superexposição digital na carreira pública: “A rede social é igual a um foguete: depois que você acendeu o fósforo e soltou, não volta mais atrás. Se o político comete um deslize ou é fotografado num ângulo desfavorável, aquilo viraliza em tempo real e destrói uma imagem”.

 

Herança de contratos vencidos e o cronograma de obras de Silvio Barros

 

Ao analisar a cobrança de setores da comunidade pela zeladoria e conservação urbana na gestão Silvio Barros, Odair Fogueteiro afirmou que a atual administração encontrou um cenário de desestruturação administrativa provocada pela equipe anterior.

 

“Vários contratos que as empresas terceirizadas mantinham com o município estavam vencidos no segundo semestre da última gestão, de forma que parecia até proposital”, denunciou. “A Seinfra passou por um momento crítico, com maquinário e veículos quebrados e apenas 15 servidores para cuidar da cidade inteira”.

 

Usando uma metáfora do campo, o parlamentar justificou o tempo de resposta da prefeitura: “Quando você compra uma lavoura, você primeiro manda tombar a terra, depois planta e espera meses para ver o verde brotar, amadurecer e só então colher. Esse período de preparo durou quase um ano. A colheita está chegando”.

 

Fogueteiro citou medidas já em andamento, como um contrato licitado em R$ 80 milhões para remoção de cerca de 12 mil árvores condenadas e ampliação de podas, além de frentes de recapeamento asfáltico que já atingiram cerca de 400 ruas e avenidas da cidade, a exemplo da Avenida Mauá e da Avenida 19 de Dezembro.

 

Críticas a Ulisses Maia e a influência de Ricardo Barros

 

Na avaliação política de Odair Fogueteiro, as grandes marcas de infraestrutura urbana da cidade contam com a assinatura técnica e a viabilização orçamentária do grupo liderado por Ricardo Barros e Silvio Barros. Ele cita que o ex-prefeito Ulisses Maia apenas se beneficiou politicamente de projetos do grupo Barros. 

 

“O Ulisses fez uma gestão em cima do que foi deixado pelos Barros e pelo Roberto Pupin. Quem conseguiu aprovar o projeto e atrair os recursos federais para o Terminal Urbano de passageiros foi o Ricardo Barros. A obra da Ópera Oscar Niemeyer também veio de recursos viabilizados pelo Ricardo. O Ulisses não tem obras estruturantes para apresentar à população. O que ele tinha eram as florzinhas, que ele gastava para plantar e seis meses depois morriam”, disparou o parlamentar.

 

Apoio fechado à reeleição de Majô na presidência da Câmara

 

Com as articulações antecipadas para a renovação da Mesa Diretora da Câmara no segundo semestre deste ano para o biênio 2027-2028, Fogueteiro afastou especulações sobre sua candidatura imediata ao cargo de presidente e cravou alinhamento total à permanência da atual mandatária.

 

“Já estou definido junto ao nosso grupo político: nós vamos trabalhar em favor da nossa presidente Majô para que ela permaneça no mandato”, anunciou o vereador. “Ela vem desempenhando um papel extraordinário, mantendo um diálogo próximo com os mais experientes. Ela me conquistou não apenas pela competência, mas pela simplicidade e humildade”.

 

Segundo o parlamentar, a bancada do Progressistas apoia a manutenção do comando: “A nova legislação permite a reeleição para um segundo mandato de dois anos, e a grande maioria dos vereadores aprova o trabalho dela”, concluiu.

 

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Onde assistir: Canal do Maringá Post no YouTube.